Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 15/09/2019

Mais de 30 mil jovens são assassinados por ano no Brasil, de acordo com o Atlas da Violência do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada. Isso demonstra que o Sistema de Segurança Pública encara desafios, tais como o despreparo do governo para a implementação de medidas preventivas e de infraestrutura adequada e o deficiente acesso à educação em áreas de maior vulnerabilidade. É necessário que medidas sejam tomadas para atenuar essa problemática.

Em primeiro lugar, destaca-se a falha na elaboração de intervenções preventivas como um gatilho para essa situação. Exemplo disso é o patrulhamento da Favela da Maré, em 2014, pelas forças armadas, que durou mais de um ano e, após seu fim, a comunidade voltou a ser dominada pelo tráfico novamente. A verba gasta nesta operação poderia ter sido investida em coletes à prova de bala, em armamento e em viaturas. Além disso, o número de peritos criminais e de policiais civis e militares é pequeno diante do índice de criminalidade. Isso, somado à precária estrutura de laboratórios e delegacias, atrasa o desfecho de laudos e de solução de crimes e prejudica o funcionamento do sistema de segurança.

Ademais, deve-se considerar a falta de acesso à instituições públicas de ensino como brecha para o contato de jovens como o mundo do crime. Em alguns locais, como no bairro Nossa Senhora da Apresentação, em Natal, Rio Grande do Norte, a alta incidência de atos violentos pode estar relacionada com o fato de haver disponível apenas uma escola pública no local para esses adolescentes. Isso dificulta a sua inserção no mercado de trabalho, contribui para o aumento do número de desocupados no país (que, de acordo com o IBGE, já é de 13 milhões) e faz com que muitos busquem se sustentar com dinheiro proveniente de furtos e roubos.

Portanto, o sistema de segurança pública do país enfrenta problemas de administração e infraestrutura e ações corretivas são necessárias para solucioná-los. Cabe ao Governo investir em tecnologias, inteligência e sistemas que auxiliem na prevenção de atos criminosos; aumentar o número de peritos e policiais e treiná-los para que a demanda de delitos seja atendida com mais rapidez, e, por fim, cabe ao Estado investir na construção de escolas públicas, creches e cursos técnicos em áreas mais necessitadas, para que assim os jovens gastem seu tempo com sua formação educacional, o que irá facilitar sua inserção no mercado de trabalho e prevenir a ocorrência de crimes, muitas vezes gerados pela falta de ocupação. Só assim haverá mudança no número de homicídios e demais delitos no país e o estabelecimento de uma sociedade mais pacífica.