Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Casos como o assassinato da vereadora Marielle Franco, defensora dos direitos humanos, em março de 2018, no Rio de Janeiro, demostram o fracasso do Estado em superar os obstáculos presentes na segurança pública brasileira. As adversidades encontradas no combate, em especial, ao crime organizado, devem-se ao modelo obsoleto empregado contra a criminalidade, e à falta de oportunidades, principalmente para a juventude das periferias, que tornem o estudo e o trabalho uma alternativa mais atraente do que o ingresso na criminalidade.
Segundo o conceito de materialismo histórico de Karl Marx, as contradições de uma sociedade podem ser entendidas através do estudo da luta de classes. Dessa interpretação, depreende-se que uma das origens da criminalidade surge na crise econômica brasileira e na falta de empregos ofertados, dificultando alternativas de ascensão econômica, aspiração principal da parcela da juventude que comete crimes, em especial roubos e tráfico de drogas.
Outra origem da criminalidade se deve à mentalidade nacional que vê a violência como única estratégia resposta aos crimes, estratégia não apenas ineficaz — característica marcante do sistema de Justiça brasileiro, mas que também vitimiza inocentes, como é o caso da menina Ágatha, atingida por um disparo policial em setembro desse ano.
Desse modo, a fim de reduzir os índices de crimes, deve-se investir em medidas a longo prazo, gerando um modelo de segurança pública que transcendam governos e formem uma política de Estado. Tais medidas devem ser lideradas pelo ministério da Justiça, a nível federal, em conjunto com os governos estaduais, com foco em planejamento, monitoramento, tecnologia e inteligência na prevenção e repressão de crimes. Em adição, é necessário que o Estado melhore o ingresso no mercado de trabalho, oferecendo opções de profissionalização e estimulando a criação de postos de trabalho, ofertando opções aos jovens que não o cometimento de crimes.