Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 03/05/2020
O contexto ficcional oferecido pelo universo de “Homem Aranha”, a priori, mostra um jovem, Peter Parker, quem, embora usasse seus superpoderes aracnídeos diante do mal, era visto como um vilão pera sociedade. Essa óptica social, na saga, foi fruto de uma intensa perseguição dos meios de comunicação em massa locais. Fora da ficção, de maneira análoga, observa-se, no Brasil, um empecilho consoante enfrentado pelo sistema de segurança pública: o dolo midiático. Nesse viés, aponta-se que a ação dos meios informativos fomentam o descrédito popular, o que incita, muitas vezes, o apoio popular às milícias.
De início, afirma-se que, hoje, os veículos comunicativos promovem, comumente, conteúdos que evidenciam a natureza lúdica humana. Para depreender isso, vale evocar o historiador Johan Huizinga e seu livro “Homo ludens”. Nele, o holandês apresenta uma leitura antropológica a qual põe em voga o ímpeto humano em crêr no lúdico, isto é, no que perpassa o real. Sob esse prisma, quando os canais informativos, por exemplo, documentam os deslizes das Forças Armadas, a fim de aumentar a audiência, muitos indivíduos adotam essa visão como ubíqua e passam a suspeitar de quem os defende: o que dialoga com o lúdico de Huizinga. Logo, é evidente o caráter doloso das mídias ao sobrepôr esse tipo de conteúdo e a razão para as inseguranças populares perante o sistema de segurança pública.
Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, nota-se, nas áreas dominadas pelo crime organizado, uma tendência social prejudicial: o apoio às milícias endêmicas. Evidência de tal comportamento é a série da Netflix “Peaky Blinders”, a qual mostra um arcabouço social pautado pela ação de gangues e uma população que, por sua vez, na ausência de um poder governamental maior, associa-se aos “Shelby” (principal gangue do seriado). Todavia, nesse cenário, sabe-se que essa ausência é apenas aparente, haja vista que a polícia local atua, porém, sem o respaldo cidadão. Nesse sentido, no âmbito nacional, quadro análogo ao da série tende a ocorrer, qual seja, os indivíduos, descrendo nas forças estatais de segurança, aliam-se ao esqueleto das milícias brasileiras quando possível, o que ressalta um desafio nefasto a tais forças