Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Segundo Aristóteles, não há desigualdade maior que tratar os diferentes como iguais, ignorando as condições socioeconômicas de cada grupo. Nesse sentido, as amplas antíteses existentes na sociedade brasileira magnificam o processo da violência na nação, que é ineficaz no combate da criminalidade - investindo em soluções pouco eficazes - e, principalmente, em garantir condições de educação adequadas para a ascensão social livre do crime. Assim, enquanto medidas paliativas forem a regra, a segurança pública ideal será apenas uma utopia no Brasil.

Em primeiro plano, a gestão governamental é omissa e ineficaz no cumprimento do artigo sexto da Constituição Federal, que garante o direito à segurança como premissa para a vida social. Nesse sentido, medidas errôneas e ineficientes pautam as ações estatais na área da proteção pública, como exemplificado pelas tentativas do Executivo federal de zerar impostos sobre armas de fogo. Ocorre que tais projetos visam à transferência do dever de defesa, o que busca isentar o Estado de seu papel de defensor e transportar tal responsabilidade a particulares. Destarte, a falência da gestão em controlar a criminalidade é incompatível no Estado Democrático de Direito, no qual a segurança deve ser uma de suas bases e garantida pelas autoridades.

Ademais, a tentativa de mitigar a violência por si só é incoerente, já que as mazelas - promotoras da criminalidade - manter-se-ão se reformas nas condições existenciais não forem realizadas. Nesse viés, o educador e filósofo Paulo Freire afirma que se a educação na for libertadora, o sonho do oprimido será tornar-se o opressor. Ocorre que, no Brasil, as profundas desigualdades - sociais, educacionais e de moradia - impedem que a sociedade, em geral, aproveite os benefícios da educação, que se democrática e capaz de inserir seus formados no mercado, é força efetiva de redução de desigualdades e de infrações motivadas pela miséria. Desse modo, deve-se buscar soluções para as origens do crime, de modo a reduzir as medidas paliativas da violência, que são apenas placebos para um problema estrutural e complexo.

Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Educação, por meio de alterações na Base Nacional Comum Curricular, promova uma educação inclusiva, de modo a inserir seus alunos em profissões, o que reduziria as desigualdades e, por consequência, a criminalidade. Isso poderia ser feito com aulas de matérias técnicas, que geram trabalhadores especializados, aptos ao mercado, num projeto chamado de ‘‘Educação Presente’’. Com isso, poder-se-ia conter as origens do crime e efetivar, enfim, a segurança pública idealizada na Carta Magna.