Desafios e perspectivas para o trabalho informal no Brasil

Enviada em 26/07/2023

No Brasil contemporâneo, o aumento do emprego informal é uma preocupação social bastante alarmante. Segundo dados do IBGE, há um contínuo aumento na informalidade do trabalho, atingindo mais de 34 milhões de brasileiros. Tal situação aumenta a precariedade laboral e é originada pelo fenômeno de “uberização” que atinge a sociedade atual. Como consequência, setores da burguesia incentivam, de maneira intencional, o aumento da informalidade, aumentando o contingente de trabalhadores precarizados, e, consequentemente, enfraquecendo a luta por direitos trabalhistas.

Primeiramente, é importante destacar o processo de “uberização” que está ocorrendo na economia mundial. Empresas do ramo de tecnologia passaram a usar a força de trabalho de “colaboradores autônomos”, gerando lucros exorbitantes sem se comprometerem com direitos trabalhistas. Ademais, com a inauguração dos vínculos trabalhistas no ambiente virtual, por meio de aplicativos como Uber e Ifood, diminuiu-se o relacionamento entre trabalhadores, ocasionando a redução da organização desses, enfraquecendo sindicatos, movimentos operários, e, por conseguinte, a luta pela formalização do trabalho.

Ainda, é importante citar o conceito de exército industrial de reserva, proposto pelo sociólogo Karl Marx. Este conceito diz respeito ao contingente de trabalhadores em situações de precariedade em uma sociedade. O aumento desse exército industrial enfraquece lutas trabalhistas, beneficiando a burguesia em detrimento da classe operária. Devido a isso, fica clara a intencionalidade de setores da burguesia no aumento da informalidade, pois essa detém proveito direto desse fenômeno social.

Diante do exposto, é imprescindível que a sociedade civil, organizada em partidos políticos e sindicatos, promova ações em prol dos trabalhadores informais, como greves e paralisações, com o intuito de elevar a pressão por formalização de trabalhos, principalmente de colaboradores de empresas como Uber e Ifood. Para tanto, devido ao grande poder de escala das redes sociais, essas devem ser usadas para agitação e propaganda desses atos, visando a adesão do maior número possível de brasileiros.