Desafios e perspectivas para o trabalho informal no Brasil

Enviada em 18/09/2023

A abolição tardia e incompleta da escravatura, que ocorreu em 1888, trouxe consigo um legado de desigualdade que perdura até os dias de hoje. Este legado revela que uma grande parcela da população brasileira permaneceu à margem da proteção social e dos direitos básicos. Ao longo desse período, a promessa do setor formal de incluir e considerar todos os brasileiros, independentemente de sua origem ou condição, não foi cumprida plenamente e, lamentavelmente, parece ser uma meta difícil de ser alcançada no futuro.

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) lança luz sobre o aumento das disparidades de renda entre aqueles que ocupam os estratos mais baixos e mais elevados da pirâmide de ganhos, além de fornecer uma análise das razões subjacentes a esse crescimento. O estudo foi elaborado por Rogério Jerônimo Barbosa, um pós-doutorando vinculado ao CEM, e revela como fatores como o desemprego, o desalento (quando um indivíduo desiste de procurar emprego) e a informalidade exerceram influência sobre a desigualdade de renda. Os resultados preliminares desse estudo foram divulgados na mais recente edição do Boletim Mercado de Trabalho, um periódico que analisa a conjuntura econômica e laboral, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Em suma ponto de partida é para melhor a vida do trabalhador informal é diminuir sua vulnerabilidade econômica, bem como a dos territórios em que vivem. Isso passa desde a oferta de creches e programas de segurança alimentar, saúde e educação até o apoio financeiro (programas de transferência de renda), acompanhamento das famílias e reforço do Sistema Único e Assistência Social (SUAS). Com essas condições básicas asseguradas, é importante então oferecer condições para qualificar profissionalmente essa população para e oferecer oportunidades promissoras de inserção no mercado, capazes de gerar renda de forma perene e estável.