Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 25/05/2026
No filme “Extraordinário”, a trajetória de Auggie evidencia os dilemas enfrentados por crianças que fogem do padrão de normalidade ao ingressarem nas escolas, sendo frequentemente alvos de exclusão e preconceito. Para além da ficção, observa-se que a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem é dificultada pelos desafios enfrentados pelas instituições de ensino, como a negligência governamental e a falta de capacitação docente.
A princípio, a deficiência de investimentos do Estado, sobretudo em escolas públicas é um fator agravante para o problema. Nesse sentido, sistemas escolares públicos enfrentam um déficit de soluções tecnológicas, como profissionais, salas e materiais especializados, que atendam aos alunos com necessidades especiais, uma vez que esses investimentos não são fornecidos a todos pelo governo. Essa preocupante situação se relaciona com o conceito de “Necropolítica” do sociólogo Achille Mbembe, o qual afirma que o Estado escolhe quem deve “morrer”, ou seja, quem deverá ou não receber atenção. Por conseguinte, esses alunos, ao não terem suas condições atendidas, apresentam dificuldades para se desenvolverem.
Além disso, a insuficiência de habilidades fornecidas aos professores contribuem para o quadro da não inclusão desses estudantes. Sendo assim, quando cursos pedagógicos não disponibilizam contato com disciplinas que visam à inclusão de jovens nas escolas, muitos professores podem interpretar, por exemplo, dificuldades dos jovens como desinteresse, ou não conseguem identificar traços de necessidades especiais. Esse falho sistema é discutido pela pedagoga brasileira Cecília Antipoff, que defendia uma escola inclusiva e atenta às especificidades dos discentes. À luz do pensamento de Antipoff, muitas redes de ensino atuais ainda falham nisso devido ao despreparo docente, o que acarreta na integração desses alunos aos demais, evitando, assim, seu máximo desenvolvimento.
Portanto, faz-se urgente que esse problema seja mitigado. Logo, cabe ao Ministério da Educação, junto ao Governo Federal, implementar equipes que acompanhem esses jovens e identifiquem traços de dificuldades, além da capacitação docente nas instituições, com aulas práticas e oficinas de inclusão. Isso pode ser feito por meio de parcerias com faculdades, para garantir a inclusão, não vista por Auggie.