Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem

Enviada em 06/05/2023

A Lei Geral promulgada em meados do século XIX no Brasil garantiu o acesso à educação às mulheres. Apesar de tardia, a democratização do ensino para o público feminino trouxe maior emansipação. Entretanto, essa abrangência do processo educativo ainda se encontra limitada na sociedade brasileira. Isso é visto, de forma análoga às lutas feministas, pelos desafios na inclusão de alunos com transtorno de aprendizagem em instituições de ensino. Esse cenário se dá pelos limitados profissionais especializados em neurodivergência e pelo preconceito ainda vigente.

Nesse sentido, primeiramente, tem-se uma defasagem da educação nacional quanto à adequação do aprendizado às diferentes formas cognitivas do corpo discente. Desse modo, o ensino, como forma de transfomação social, segundo Paulo Freire, sociólogo brasileiro, torna-se limitado. Nesse viés, a inclusão de pessoas com dificudade de aprendizagem se constitui um desafio à democracia e uma não equidade no tratamento dos cidadãos.

Ademais, é perceptível a formação massiva de oprimidos de nascença, o que dá forma a um “apartheid” velado no corpo social. Dessa forma, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein diz que é nesse contexto de exclusão que se constrói o “cidadão de papel”. Pois, apesar da Constituição de 1988 afirmar a igualdade de todos perante à lei, essa garantia não se confirma de forma plena, ou seja, “não sai do papel” para muitas pessoas. Assim, o preconceito e a segregação são fatores presentes no Brasil, principalmente nas escolas em relação a pessoas com transtorno de aprendizagem. Por isso, forma-se o estado de exceção, no qual os direitos são cerceados arbitrariamente, e a estratificação cognitiva dos insdivíduos.

Portanto, os desafios para a inclusão de alunos neurodivergentes nas escolas brasileiras devem ser enfrentados. Nessa perspectiva, o governo e os centros de ensino devem promover uma maior assistência a esse público e a conscientização acerca da diversidade. Isso se concretizará, mediante investimento em profissionais especializados (assistente pedagógico, psicólogo) e da interação entre alunos. Com essa ação, serão promovidos ambientes democráticos, a construção da alteridade e a possível extinção do “cidadão de papel”.