Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem

Enviada em 11/06/2023

Na série sul-coreana da Netflix “Tudo bem não ser normal”, Sang Tae é, desde pequeno, diagnosticado com o espectro autista e sofre, além de preconceito, dificuldade de interação e convívio social. Ao sair da ficção e fazer uma análise do cenário atual brasileiro, milhares de jovens sofrem com a mesma problemática, porém em diversos contextos (transtornos) e lugares, como por exemplo, nas instituições escolares. A partir desse contexto, é necessário discutir os principais empecilhos que dificultam a plena inclusão desses indivíduos nas escolas brasileiras.

Em um primeiro momento, o escasso interesse político com as minorias é um dos desafios enfrentados pelas escolas do país para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem. Isso ocorre, pois o estado é gerido como um patrimônio privado, no qual os interesses de uma restrita parte da população são levados em conta, enquanto a maioria da sociedade é negligenciada. Essa questão é estudada por Lilia Schwarcz e mesmo que, de acordo com a Constituição, “todos são iguais perante a lei” e “todos os cidadãos possuem direto à educação”, na realidade, o “patrimonialismo” de Lilia é a lei que é posta em prática. Em razão disso, a diversidade é marginalizada e excluída, como mostrada no início da série.

Além disso, a falta de conhecimento da diversidade estudantil, por parte do corpo social e dos educadores, é um dos empecilhos para a inclusão efetiva de alunos com transtornos de aprendizagem. Esse fato acontece, pois, segundo o intelectual e contratualista Rousseau, a educação está intimamente relacionada com a cidadania. Em outras palavras, o escasso entendimento dessa diversidade, aliena e naturaliza a exclusão desses indivíduos na sociedade.

Portanto, todos detêm do direito de uma educação inclusiva e respeitosa. Posto isso, cabe ao Poder Executivo, em parceria com as instituições de ensino e o ministério da educação, investir na adaptação de ensino para esses alunos nas salas de aula. Além disso, por meio de campanhas midiáticas em canais como o Instagram, conscientizar a população dessa diversidade, a fim de que os jovens brasileiros não sofram as mesmas dificuldades que Sang Tae.