Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 04/09/2023
Na obra “A República”, o filósofo Platão idealiza uma cidade livre de desordens, em que os cidadãos trabalham em conjunto para superar os obstáculos. Todavia, ao se fitar a atual realidade brasileira, percebe-se o oposto dos ideais platônicos, uma vez que os desafios para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem nas escolas representam um empecilho para a ordem social. Sendo assim, tem-se os fatores socioeconômicos e a negligência familiar como revés no combate desse problema.
Sob esse viés, vale ressaltar a ausência de investimentos na adequação das instituições educacionais à realidade inclusiva. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Tomás de Aquino, todos têm os mesmos direitos e deveres garantidos pelo Estado. Contudo, a prática é distinta da teoria, já que muitas escolas não têm recursos financeiros para treinar professores, para contratar psicológos e nem para ter materiais didáticos que auxiliem no processo de aprendizagem desses alunos que possuem transtornos. Sendo assim, há o crescimento do sentimento de exclusão nesses alunos.
Ademais, outro vetor recai sobre a falta da participação familiar no cotidiano de aprendizagem do indivíduo com transtorno. Nesse contexto, conforme o sociólogo Talcott Parsons, a família é considerada uma “fábrica que produz personalidades humanas”. Desse modo, entende-se a importância da responsabilidade da família que, juntamente com profissionais externos, como psicólogos e psicopedagogos, deve estar presente na elaboração de estratégias educacionais para que a sua criança alcance evolução mediante a sua dificuldade e consiga se sentir incluída.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas públicas de ensino, deve promover melhorias no sistema de ensino, por meio de maiores investimentos na capacitação de professores, como também na disponibilização de psicólogos e psicopedagogos nas escolas, a fim de que esses profissionais, devidamente treinados, consigam elaborar maneiras de inclusão desses alunos com transtornos de aprendizagem. Com essa ação, os brasileiros poderão chegar perto das convicções de Platão.