Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem

Enviada em 23/10/2023

Na obra literária “Flores Para Algernon”, do escritor Daniel Keyes, são explicita-dos os sentimentos de solidão e culpa decorrente da exclusão social enfrentadas pelo protagonista Charlie por seu transtorno de aprendizagem. Apesar de tratar-se de uma ficção, as questões abordadas no livro tornam-se pertinentes ao discutir sobre a segregação sofrida por portadores deste tipo de transtorno nas instituições de ensino. Tendo isso em vista, é necessário analisar a importância de profissionais capacitados para lidar com alunos neurodivergentes, bem como a falta de conheci-mento dos estudantes acerca da temática.

Inicialmente, é um fato que as escolas não têm o básico para auxiliar estes estu-dantes. De acordo com o método da educadora Maria Montessori, é preciso dar ênfase na autonomia, mas, com respeito ao desenvolvimento natural da criança. Nessa linha de pensamento, os alunos devem ter o direito de realizar suas ativida-des no próprio tempo, contudo, com estudantes neurodivergentes, esse período pode ser mais trabalhoso e exigir auxílio extra. Dessa forma, professores que pos-sam desempenhar esse papel corretamente, são indispensáveis em sala de aula.

Ademais, a ignorância sobre algo, pode tornar-se um preconceito. Segundo o sociólogo Émile Durkhein, o segundo mecanismo de socialização de um indivíduo é a escola, antecedida apenas pela família. Nessa perspectiva, o ambiente institucio-nal tem uma responsabilidade na integração social da criança, porém, portadores de TDAH e dislalia, por exemplo, são frequentemente ridicularizados e sofrem bullying por terem um processo de aprendizagem diferente dos demais. Isso ocor-re pela ausência da explicação desses termos, que muitas pessoas não conhecem ou não entendem do que se trata o transtorno.

Portanto, caminhos devem ser elucidados para promover a inclusão de neuroa-típicos nas instituições de ensino de forma eficaz. Para isso, o Ministério da Educa-ção, órgão responsável por promover a educação de qualidade no país, por inter-médio da criação um “Projeto de Capacitação de Professores Especiais”, deve exigir especialistas para lidar com o ensino de alunos com transtornos. Tudo isso com a finalidade de disponibilizar uma boa educação e incluir esses alunos para que eles não sejam vítimas de bullying e exclusão assim como o Charlie.