Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 27/10/2023
A constituição federal de 1988, que rege todo o ordenamento brasileiro, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente à todo cidadão. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática ao observar a dificuldade das escolas públicas em alfabetizar e formar estudantes com transtornos cognitivos - dificultando a sua ascensão social. Sob esse viés, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, o que está associado ao modelo político e ao preconceito praticado pela sociedade.
Primordialmente, é importante destacar a inoperância do estado no que tange à inclusão de alunos com dificuldades persistentes. De acordo com o filósofo Maquiavel, o principal objetivo do governante é a manutenção do poder e não a promoção do bem comum. Nesse sentido, há uma negligência do governo, com deficientes ações conscientizadoras e de ajuda à realidade das pessoas que possuem necessidades específicas para que seja possível o nivelamento do aprendizado em sala de aula, pelo fato de que políticas públicas nesse sentido não asseguram votos eleitorais em massa. Isso porque a população, em grande escala, não está preocupada com o acolhimento dos necessitados e, por isso, não elege, necessariamente, um governante com uma pauta voltada para esses grupos. Com isso, permanece a negligência estatal à invisibilização sofrida por esses cidadãos.
Ademais, é fulcral salientar a responsabilidade de parte da população à exclusão de grupos com limitações de aprendizagem. A série “Atypical”, ao apresentar a história do jovem autista Sam, reflete a realidade de muitas pessoas que não conseguem permanecer nas escolas em decorrência dos esteriótipos e maus tratos - frutos da descriminação que, no caso de Sam, é realizada pela própria professora. Por conseguinte, tal comportamento amplia o distanciamento do aluno apontado, dessa forma, contribuindo com a problemática.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse entrave. Para isso, é imprescindível que o Estado, através do Ministério da educação, promova reuniões com psicopedagogos nas escolas, convocando os alunos transtornados e seus responsáveis, a fim de garantir que eles sejam avaliados e recebam o auxílio necessário. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais acolhedora.