Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 04/03/2024
A obra “Utopia”, de Thomas More, idealiza um corpo social isento de mazelas,
inclusive no âmbito educativo. Contudo, essa configuração é distante da realidade, haja vista que as escolas brasileiras enfretam desafios para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem. Nesse sentido, tais óbices, que se referem à negligência governamental e à indiferença do povo, devem ser mitigados.
Efetivamente, a displicência estatal é um entrave para a adesão de estudan-
tes com peculiaridades cognitivas nos colégios do Brasil. Segundo a Carta Magna de 1988, o acesso à educação é um direito pleno. Entretanto, ao analisar a atualida-
de, fica claro que esse postulado não é efetivado uma vez que, em decorrência da má gestão de verbas públicas, a contratação de docentes especializados no ensino de alunos com transtornos de aprendizem permance ínfima na nação. Desse mo-
do, é inadmissível que o Estado não priorize a formação educacional desse público,
pois isso potencializa o desemprego estrutural.
Ademais, a despreocupação populacional é um óbice para o acolhimento de
aprendizes com dificuldades de obtenção de conhecimento nas escolas da pátria.
Conforme a socióloga Simone de Beauvoir, os indivíduos habituam-se às mazelas
sociais. A partir disso, fica evidente que uma parcela dos cidadãos brasileiros, ao erroneamente banalizar a condição de inacessibilidade dos centros de ensino, não se atenta à relevância dos protestos como modificadores da condição de exclusão vivenciada por muitos estudantes com déficits de aprendizagem nos espaços em questão. Dessa maneira, é imprescindível que o povo seja protagonista na luta por um ensino mais isonômico.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação — órgão responsável pela adminis-
tração educativa no país — potencializar, por meio de verbas governamentais, a contratação de professores capacitados a ensinar alunos com transtornos de aprendizagem. Tal ação visa, em última análise, à promoção da formação educacio-
nal desse contigente demográfico. Além disso, as ONGs de caráter pedagógico devem elaborar campanhas publicitárias que incentivem o povo a intervir na reso-
lução de mazelas comunitárias, a exemplo da inacessibilidade dos colégios.