Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem

Enviada em 12/08/2024

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade atual é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios enfrentados pelas instituições de ensino brasileiras para a inclusão de estudantes com dificuldades de aprendizagem apresenta barreiras, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da omissão estatal, quanto da intolerância por parte da sociedade do Brasil.

É relevante ressaltar que o artigo 5º da Constituição de 1988 afirma a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, a realidade enfrentada pelos brasileiros é distante, por ser notável que há discriminação com alunos portadores de transtornos de aprendizagem por parte do corpo social. Nesse contexto, o sociólogo Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, afirma que, embora o país possua um sólido aparato legislativo, ele mantém-se restrito ao plano teórico. Dessa maneira, verifica-se a materialização do apontado por Dimenstein no fato de que os direitos previstos pela Constituição de 1988 não são garantidos a todos os brasileiros na prática, o que ocorre em grande parte devido à falha governamental, que dificulta a inclusão dessas pessoas. Nesse sentido, percebe-se que a realidade do Brasil se destoa da afirmação do educador, pois, na maioria, não se realiza a incorporação das diferenças na escolas, para serem ensinadas. Segundo o sociólogo Bauman, “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Assim, medidas precisam ser tomadas para a possível resolução desse entrave.

Por fim, cabe ao poder público -Ministério Público- em parceria com ONGs incentivar a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem à todos e quaisquer instituições de ensino, por meio de palestras pelas escolas do país, a fim de mitigar o problema já discutido. Logo, a obra “Utopia” poderá então se tornar realidade no Brasil.