Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 05/09/2024
Priorizando os fatores biológicos que influenciam no desenvolvimento cognitivo, Jean Piaget fala também sobre a importância da interação do indivíduo com o meio para o processo de aprendizagem. Hoje, é possível relacionar a teoria construtivista do pensador com as dificuldades enfrentadas pelas escolas ao incluir alunos com transtorno específico de aprendizagem, uma vez que os processos cognitivos desses educandos não são considerados. Tal cenário ocorre, em especial, devido à negligência governamental e a defasagem do sistema educacional brasileiro.
De início, é imprescindível citar a inércia do Poder Público como um dos principais fatores para os desafios enfrentados pelo sistema de ensino ao incluir alunos com distúrbios da aprendizagem. Segundo John Locke, o estado é responsável por garantir o bem-estar coletivo, no entanto, isso não ocorre diante do cenário apresentado. Devido ao desamparo das autoridades responsáveis, a falta de políticas inclusivas eficazes para pessoas com transtorno da aprendizagem resulta em um sistema de ensino inadequado para seus processos cognitivos.
Ademais, se faz necessário citar que dentro da teoria construtivista de Piaget o papel do educador é mediar o aprendizado e o aluno, diferente do que acontece no atual sistema de ensino, onde o professor é considerado a figura que detém o conhecimento supremo. A didática que hoje é a mais usada no Brasil não cria uma conexão entre professor e aluno, o que é essencial para o reconhecimento do transtorno da aprendizagem e seu tratamento.
Portanto, a atuação do Estado, como agente regulador da comunidade, é essencial. Ao Setor Legislativo, cabe a criação de um projeto de lei que garanta a inclusão de alunos com transtorno da aprendizagem, fazendo com que as escolas construam uma proposta pedagógica exclusiva voltada aos alunos com esse distúrbio, respeitando seus processos cognitivos e necessidades específicas. Simultaneamente, é fundamental que o Governo destine recursos federais, que através das escolas, será revertido em palestras com especialistas a fim de agregar conhecimento aos profissionais da educação e às famílias e responsáveis acerca das diferenças entre dificuldades de aprendizagem e transtornos da aprendizagem e seus tratamentos.