Desafios enfrentados pelas escolas brasileiras para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem
Enviada em 25/10/2024
No livro “Brasil, País do Futuro”, o autor austríaco Stefan Zweig expressou confiança no desenvolvimento do Brasil. No entanto, décadas depois, o país ainda enfrenta desafios que impedem esse avanço, como a falta de inclusão de alunos com trans-tornos de aprendizagem. Por certo, a negligência estatal e a omissão social são as principais causas desse cenário.
Diante desse contexto, é importante destacar a insuficiência da ação estatal para tornar a educação acessível a alunos com transtornos de aprendizagem. Sob essa perspectiva, o filósofo Nicolau Maquiavel argumenta que o principal objetivo do governante é a manutenção do poder, relegando a segundo plano o bem comum. Nesse sentido, observa-se o descaso do governo, com poucos investimentos na formação de profissionais qualificados para atender esses alunos, uma vez que políticas inclusivas não trazem grande retorno eleitoral. Isso ocorre porque a população não vê a inclusão de alunos, como disléxicos, como prioridade, e, por isso, não apoia investimentos em escolas e profissionais especializados. Como resultado, a educação se torna excludente.
Ademais, a omissão social também perpetua esse quadro. De acordo com a teoria da “Banalidade do Mal”, proposta por Hannah Arendt, a sociedade tende a se calar diante de problemas que não afetam diretamente a maioria, o que acaba naturalizando essas questões. Nesse sentido, a dificuldade enfrentada por alunos com transtornos de aprendizagem é vista por muitos como algo irrelevante, o que diminui a importância do debate público sobre o tema. Com isso, a sociedade exerce pouca pressão sobre o governo para que medidas concretas sejam tomadas, permitindo a continuidade do problema.
Portanto, cabe ao Estado — detentor de recursos para a transformação social — promover campanhas de conscientização, como a Campanha “Estudo para Todos”, com oficinas educativas e comerciais. Além disso, a mídia deve ampliar a divulgação do tema para pressionar o governo a agir. Assim, o Brasil poderá finalmente se aproximar do futuro idealizado por Zweig.