Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/10/2019
Em 1904, uma série de violentas reformas urbanas e sanitárias resultaram na Revolta da Vacina no Rio de Janeiro.Nesse período, a obrigatoriedade da vacina e a destruição dos cortiços visavam lidar com epidemias de varíola, febre amarela e peste bulbônica.Hodierno, mais de um século depois, o Brasil ainda possui dificuldade de aliar o Programa Nacional de Imunização (PNI) com a Medicina Preventiva e assim agir contra as epidemias no território nacional.
O PNI é referência mundial por ser um dor maiores programas a ofertar imunobiológicos gratuítos para a população, além de promover a erradicação da varíola na década de 70.Entretanto, nos ultimos anos, a epidemia da febre amarela e a perda do certificado de erradicação do sarampo demonstraram a dificuldade do Brasil em continuar a política de imunização.De acordo com o Ministério da Saúde,a cobertura da vacina tríplice viral (contra sarampo,caxumba e rubéola) passou de quase 100% para cerca de 85% em 2017.
Além da dificuldade de imunização, existe o obstáculo de acabar com os criadouros de mosquitos responsáveis pelas epidemias de dengue, zica e chicungunha.Desse modo, observa-se a fragilidade no sistema de medidas preventivas, haja visto que no Nordeste o armazenamento de água com risco de formação de criadouros é de 76,6% e no Sul e Centro-oeste a acumulação de lixo é cerca de 52%.
Destarte,observa-se a necessidade do Ministério da Saúde integrar o PNI e a medicina preventiva por meio da criação do programa “Cuidando da Família”.Desse modo, grupos de médicos especializados em medicina da família e da comunidade deverão realizar visitas anuais nas casas com o objetivo de instruir sobre como evitar a proliferação de mosquitos, junto da verificação do cartão de vacinas. Por conseguinte, essa equipe deverá agendar a atualização de vacinas no posto que atende a comunidade, dessa forma será possível controlar as epidemias no Brasil e manter uma PNI como referência mundial.