Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 09/06/2019

A epidemia se caracteriza quando uma doença ocorre em diversas regiões, municípios ou estados, ao mesmo tempo. No Brasil, essa problemática se torna ainda mais alarmante em virtude do grande descaso com a saúde pública, da negligência na utilização do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e até mesmo do baixo impacto das campanhas de educação em saúde à população.

Em primeira análise, o controle de epidemias no Brasil esbarra continuamente no uso negligenciado do SINAN por parte dos profissionais de saúde, bem como na desatenção que as secretarias dão aos dados notificados. Isso é evidenciado pelo ressurgimento do sarampo, um agravo antes controlado pela vacinação, e pelos numerosos casos de dengue que em 2019 registram 5 vezes mais casos que no ano de 2018, segundo o Ministério da saúde (MS). Sendo assim, o que se percebe é a inadvertência na notificação dessas doenças, haja visto fazerem parte da lista de doenças de notificação compulsória do MS, uma vez que os casos tendem ao crescimento, sem que condutas urgentes e eficientes sejam tomadas.

Outrossim, o descaso com a saúde pública aliado ao baixo impacto das campanhas de educação em saúde são notadamente observados na persistência de epidemias de doenças consideradas da pobreza, como a tuberculose. Salienta-se assim, a ausência de acesso ao saneamento básico de mais da metade da população brasileira, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, o que contribui sobremaneira para a emergência de epidemias de zika vírus e reemergência do sarampo. Convém destacar ainda, a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis - sífilis, HIV, hepatites - que segundo a Organização Mundial de Saúde, vem aumentando vertiginosamente na era dos aplicativos de encontro, e somente recebem visibilidade educativa em épocas festivas como o carnaval, gerando pouco impacto para a redução ou controle dos casos.

Evidenciam-se, portanto, enormes desafios na saúde pública brasileira. Para que as epidemias sejam controladas e reduzidas, urge a necessidade de maior atenção aos agravos identificados, por meio de notificação correta por parte dos profissionais, de intervenção adequada e direcionada pelos órgãos responsáveis - secretarias de saúde e MS - bem como coalizão com os mecanismos midiáticos, TV, redes sociais, aplicativos, jornais impressos com as entidades da saúde, da educação, do meio ambiente e do controle social. Assim, os surtos, endemias e consequente epidemias seriam monitorizadas e manejadas eficientemente desde o caso índice.