Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 10/06/2019

No filme “Ensaio sobre a Cegueira”, é retratada um história que atinge a saúde da população por meio de uma epidemia conhecida como “cegueira branca”. Hoje, essa ficção é o reflexo presente na realidade brasileira, pois a epidemia de doenças, mesmo sendo um problema histórico, ainda é bastante frequente. Nessa perspectiva, é necessário que o poder estatal e o campo midiático promovam alternativas para minimizar essa mazela.

Em primeiro plano, nota-se, que mesmo com o direito à saúde determinado pela constituição de 1988, é perceptível que quando uma grande parte da população local é atingida por vírus, bactérias, protozoários em um determinado tempo, esse princípio é ferido. Um processo que começa a interferir também na dignidade das pessoas, pois como a saúde pública é um fator primordial à vida, ela determina outros princípios. Sob esse viés, os que são negligenciados, seja por falta de investimentos ou de má gestão, tratada de forma natural, consequentemente, terão uma aceitação do cenário facilitado pela imposição frequente, ou seja, torna-se uma realidade definida pela pensadora Hannah Arendt, da “banalização do mal”. Logo, o Estado deve reconhecer as epidemias como um fator alarmante e promover ações de combate efetivas a elas.

Concomitantemente a essa dimensão estatal, quando o pensador Mário Sergio Cortella salienta “a mídia como corpo docente”, ressalta-se a importância dela no combate prevenção e divulgação das epidemias brasileiras. Contrariamente a essa lógica, a realidade midiática não acompanha, frequentemente, com uma campanha de vacinação ou projetos de forma contínua. Prova disso, é que um exemplo como a febre amarela liderou o ranking de mortes por essa problema no ano 2000, fato que acontece desde 1980, ou seja, se não há uma efetiva prevenção não haverá a minimização. Assim, é de extrema importância que a mídia se posicione mais para lidar com esse paradigma.

Deve-se constatar, portanto, a necessidade de medidas eficazes na melhoria da saúde e combate às epidemias. Para isso, deve haver um intercâmbio técnico e logístico entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Cidades, com investimentos de saneamento básico e políticas públicas, afim de atender a todos, com igualdade e dignidade plena na saúde. Somados a isso, a mídia e a sociedade civil devem propagar movimentos de prevenção com mais campanhas de vacinação e informações verídicas em sites e aplicativos, para que seja disseminado o bem à população e não o mal comum. Logo, as epidemias passarão a ser controladas e a saúde pública promovida.