Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 10/06/2019

A vacinação obrigatória contra a varíola, em 1904, ocasionou no país um levante popular conhecido como Revolta da Vacina. De maneira análoga, epidemias, da mesma forma que a varíola nos primeiros anos do século XX, são encontradas no cenário atual brasileiro, tornando dificultoso combatê-las. Nessa conjuntura, cabe analisar os pretextos que influenciam negativamente essa problemática, dentre eles a má gestão governamental dos recursos destinados a esse fim e a baixa discussão sobre esse tema, principalmente nas salas de aula.

Em princípio, é notório que a má administração estatal é um entrave para superar essa problemática. Dentro dessa lógica, a crise econômica vigente no Brasil corroborou a tipificação de políticas de austeridade, como por exemplo a aprovação da Emenda Constitucional 241, que limita gastos públicos por 20 anos em saúde e educação. Essa medida, apesar de ser inofensiva, afetou diretamente o envio de verbas ao SUS (Sistema Único de Saúde), prejudicando a cobertura das campanhas vacinais e de medidas profiláticas. Em consequência, sem a divulgação e o financiamento dessas campanhas, as camadas sociais mais vulneráveis socioeconomicamente tornam-se suscetíveis às epidemias.

Outrossim, é importante compreender como discutir sobre essa temática no âmbito escolar seria benéfico para a efetiva superação desse problema. Sob esse raciocínio, para o filósofo Lev Vygotsky, o ensino básico não deve se distanciar dos aspectos da vida social. Assim, faz-se necessário a discussão das epidemias, dos sintomas e das suas formas de prevenção nas salas de aulas, principalmente pelo fato de que tais doenças fazem parte do contexto nacional, como afirma a revista Exame, em um estudo que mostra que 1 em cada 5 pessoas no país morrem por doenças epidêmicas. Em contraste, ações pedagógicas com o objetivo de trazer esse debate para o meio entre os estudantes são timidamente desenvolvidas nas escolas. Logo, forma-se a desinformação, dificultando a identificação dessas doenças e da procura por atendimento nos postos de saúde e hospitais.

Infere-se, portanto, que há obstáculos impedindo a erradicação das doenças epidêmicas no Brasil. Para minimizar os efeitos desses entraves, é de praxe que, em primeiro lugar, seja revogada a Emenda Constitucional 241, visto que ela bloqueia o orçamento do SUS destinado a campanhas preventivas. Além disso, o Ministério da Educação deve criar um programa dentro da Base Nacional Comum Curricular que discuta sobre as doenças epidêmicas nas escolas, para que os jovens saibam identificá-las e possam buscar atendimento médico logo nas primeiras suspeitas de contração das doenças. Desse modo, as epidemias poderão ser erradicadas e existirão apenas no passado, como a varíola.