Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 09/06/2019

A Revolta da Vacina foi uma reação popular contra as políticas sanitárias arbitrárias no século XX. Naquela época, a falta de informação foi um dos principais fatores para a rejeição da vacinação ao passo que, atualmente, o excesso de falsas informações, acompanhado da compactação da vida urbana, cercam as campanhas preventivas e reduzem a cobertura imune.

Em primeira instância, o método de memorização nas escolas predomina diante da construção do pensamento autônomo. Conforme Kant, filósofo iluminista, a educação é a principal ferramente de construção do ser. Nesse sentido, é possível compreender que as escolas estão, de maneira geral, fracassando na promoção do conhecimento científico cotidiano. Assim, o desestímulo da postura filosófica possibilita a perpetuação do medo de vacinas e a desvalorização dos cuidados rotineiros com a saúde.

Concomitantemente a esse fator estrutural, o sociólogo Bauman analisou que a industrialização teria afetado todas as relações humanas. Isto é, nas grandes cidades brasileiras, ocupa-se bastante o tempo com atividades produtivas e outras responsabilidades contemporâneas. Dessa maneira, resta pouco tempo livre para que os indivíduos exerçam hábitos saudáveis ou mesmo se informem. Consequentemente, a nova dinâmica social solicita inovações urgentes para a ampliação de acesso à informação e saúde, sendo ambos constituintes dos Direitos Humanos.

Portanto, é indiscutível que o comportamento das instituições brasileiras não acompanharam as mudanças da sociedade para o contínuo combate às epidemias. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde atue para inserir-se nos novos ideais da população, através do aumento da acessibilidade. Para isso, é necessário disponibilizar Unidades Móveis de Vacinação, que ficariam estrategicamente posicionadas em locais movimentados, como praças, estações metroviários e áreas comerciais. Finalmente, espera-se, como efeito imediato, uma ampliação da presença do Poder Público em locais inovadores, adequando-se às novas rotinas, bem como a inserção de informações científicas no combate às epidemias.