Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 04/07/2019
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de não transmitir o legado da miséria humana. Analogamente, as ações estatais fracassadas, além do consequente aumento de casos de dengue e de criadouros de mosquitos, enquadram-se no conjunto de “misérias da humanidade”, uma vez que se constituem como desafios da humanidade a serem superados para mitigar a atual situação de epidemias no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.
Primeiramente, é indubitável que as ações governamentais não estão caminhando para a solução das epidemias. Esse comportamento não é atual, por exemplo, no ano de 1904, em meio ao surto de varíola no Rio de Janeiro, o Governo Federal instaurou uma política vacinação forçada e destruição de cortiços, que culminou em uma das maiores revoltas do Brasil. Conquanto, intervenções públicas, sem a devida conscientização popular, geralmente não obtêm êxito.
Por conseguinte da não conscientização da população, doenças estão se espalhando. Segundo o Ministério da Saúde, durante os primeiros três meses de 2015, mais de 200 mil casos de dengue haviam sido notificados. Na região sudeste, 52% dos criadouros de mosquitos vetores da doença foram identificados nos domicílios, em vasos, garrafas e pneus com água parada. Sendo assim, os cidadãos não informados sobre como prevenir a proliferação dos mosquitos ou a conscientização feita não foi eficaz.
É evidente, portanto, que é necessária uma intervenção estatal. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve adicionar à grade curricular do ensino fundamental e médio, aulas ministradas por médicos epidemiologista, para debater sobre as epidemias e suas consequências para a sociedade, com auxílio de materiais didáticos sobre o assunto. Para que assim, a próxima geração cresça conscientizada sobre o assunto, a fim de que, com isso, esse tema deixe de ser uma “miséria da humanidade”.