Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 05/07/2019
Em 1904,o médico sanitarista e diretor de Saúde Pública do Brasil,Oswaldo Cruz,convenceu o governo a decretar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola.Entretanto,a população não foi instruída quanto à ação governamental,o que gerou uma grande revolta popular conhecida como revolta da vacina.De maneira análoga,mesmo após décadas dessa revolta,o Governo ainda é negligente em relação as campanhas de informações sobre saúde para os cidadãos,além do sistema de vacinação atual continuar precário.Assim,é evidente o despreparo do país para lidar com epidemias,a exemplo da febre amarela.
Sob uma primeira análise,as arboviroses,doenças como dengue,zika e febre amarela,transmitidas por arbovírus,têm campanha de prevenção centralizada em determinadas épocas do ano em que os casos são mais expressivos e tornam-se epidemias.Nesse sentido,de acordo com Sérgio Arouca,um dos principais teóricos e líderes do chamado movimento sanitarista que mudou o tratamento da saúde pública no Brasil,é preciso um trabalho permanente para lidar com epidemias,uma vez que a educação preventiva da população requer medidas constantes.Dessa forma,percebe-se que a sazonalidade das ações governamentais permite que ocorram surtos de viroses.
Simultaneamente a isso,o sistema de vacinação do país não atende efetivamente a população,visto que os postos de saúde,em sua maioria,não possuem atendimento aos finais de semana.Isso faz com que a população que trabalha no mesmo horário de funcionamento dessas instituições,não tenha acesso à vacinação.Além disso,a gestão do método de acompanhamento do cidadão pelos órgãos de saúde não condiz com os avanços tecnológicos,ou seja,o fato das carteiras de vacinação ainda serem físicas acarreta perdas e desgaste do material,o que dificulta o controle de imunização da sociedade.Essa conjura configura-se uma violação do contrato social do filósofo John Locke,já que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos imprescindíveis à população,haja vista a falta de iniciativa das autoridades em fornecer acesso à saúde de qualidade.
Portante,cabe ao Ministério da Saúde,em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde,a ampliação das campanhas informativas e de vacinação.Isso deve ser feito por meio do uso de cartões de vacinação digitais registrados em um banco de dados nacional juntamente com unidades móveis de imunização que possuam profissionais capacitados para esclarecer a população sobre prevenção e que atue mensalmente nas cidades,sobretudo,aos finais de semana.Haverá,então,mudança do cenário desafiador da época da revolta da vacina,com instrução para a população,além da melhoria do sistema de vacinação do país,resultando em um maior preparo para lidar com epidemias.