Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/07/2019
Durante a segunda metade do século XIV, na Europa, generalizou-se a proliferação de uma das maiores pandemias da história, conhecida como Peste Negra, a qual foi responsável por dizimar grande parte da população e decretar o fim da Idade Média. Não obstante, é indubitável que o avanço da medicina proporcionou diferentes métodos na prevenção de diversas doenças, contudo, a conflituosa adequação das políticas públicas e da população a esse cenário contribuem para uma das principais contradições no equilíbrio da saúde no Brasil.
É importante considerar, de início, que desde a Constituição Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visam a diminuição de enfermidades. Entretanto, é factível que a falta de mecanismos governamentais efetivos na materialização desse direito, como a transparência educativa-informativa dos meios de transmissão da Dengue e da AIDS, por exemplo, principalmente em regiões mais carentes de infraestrutura, bem como o acesso limitado ao saneamento básico, corroboram um panorama social que catalisa a emergência de diferentes doenças. Com efeito, é inconcebível que a inadimplência de um trabalho Estatal, inviabilize a mobilização de ações que diminuam surtos de doenças evitáveis.
Outrossim, é factível que a falta de responsabilidade da população é igualmente fator dos agravos desse cenário. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Sartre, em seu conceito de má-fé, as pessoas tendem a se desvirtuar de suas responsabilidades por tratar a humanidade como objeto passivo de forças maiores e organizadas. Sob esse prisma, tal teoria encontra amparo na realidade brasileira, visto que os indivíduos acabam, por vezes, relegando somente ao Estado o compromisso do combate a epidemias, negligenciando, dessa maneira, seu lugar de cidadão, a exemplo, em atitudes que eliminam espaços de reprodução de mosquitos. Assim, a limitação de criticidade dos indivíduos quanto à importância de suas ações sustenta um ambiente fragilizado no embate a epidemias.
É imperativo, portanto, mecanismos energéticos na transfiguração desse contexto. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, em paralelo com as Secretarias de Saúde priorizar um ambiente educacional mais compreensivo sobre os empecilhos das enfermidades brasileiras. Isso pode ser solidificado por meio de projetos vinculados a universidades que contemplam áreas da saúde, para que a partir de oficinas e diálogos nas escolas, adaptados à compreensão de cada série, possa estabelecer informações mais holísticas quanto à prevenção de doenças evitáveis, bem como a ampliação de uma visão de responsabilidade. Enfim, juntamente com medidas Estatais proativas, poder-se-á transformar gradativamente uma sociedade sem contradições que desequilibram a vitalidade da saúde brasileira.