Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 17/07/2019

‘‘Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vendo, não veem’’. O excerto do livro ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’ de José Saramago critica uma sociedade invisual. Analogamente, tal obra se assemelha ao cenário contemporâneo, uma vez que o corpo social é inobservante sobre como lidar com os desafios na saúde pública, sobretudo, as epidemias no Brasil, fruto da falta de engajamento pedagógico e do descaso estatal.

A princípio, a carência do papel escolar promove subterfúgios a tal situação. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defende que a ausência de uma educação conscientizadora pode causar diversos problemas sociais. Outrossim, o conhecimento técnico acerca das patologias deve ter a abordagem mais ativa em detrimento da formação cidadã, na qual contribuiria com a prevenção de pestilências na comunidade em que o aluno se encontra. Dessa forma, é inaceitável que as escolas visem reproduzir apenas conteúdos programáticos ao invés de estimular, não  apenas o aprendizado crítico, como também o papel social do estudante.

Não obstante, o desmazelo governamental corrobora na invisibilidade da questão. Mormente, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), grande parte das epidemias são tropicais e 90% estão no Brasil. Ademais, o país não investe em pesquisas, produção de vacinas e o controle de transmissão doenças como a de chagas, malária e amebíase. Sendo assim, é inadmissível que a nação pertencente a tal contexto alarmante negligencie o pleno direito à saúde e o bem estar da população.

Torna-se evidente, portanto, que o fator necessita de maior notabilidade. Logo, o Ministério da Educação deve criar uma disciplina extracurricular chamada ‘‘Programas de Saúde’’. Essa ação será feita por professores de biologia para alunos do ensino fundamental ao médio, com atuação fora do ambiente escolar, distribuição de cartilhas e visita domiciliar em grupos, a fim de elucidar os moradores sobre o impasse. Dessa forma, como proferiu Saramago ‘‘Se podes olhar, vê. Se podes vê, repara.’’