Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 02/08/2019
‘‘Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegamos que vendo, não veem’’. O excerto do livro ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, critica uma sociedade invisual. Analogamente, tal obra coincide ao cenário contemporâneo, uma vez que o corpo social é inobservante sobre os desafios na saúde pública, sobretudo, como lidar com epidemias no Brasil, fruto da falta de engajamento pedagógico e descaso estatal.
A principio, a carência do papel escolar contribui no quadro vigente. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defende que a ausência de uma educação conscientizadora pode causar diversos problemas sociais. Outrossim, o conhecimento acerca das patologias deve ter uma abordagem mais ativa no ambiente escolar, em detrimento da formação cidadã, pois o aluno ao saber lidar com a problemática, poderá contribuir na prevenção de pestilências na comunidade em que se encontra. Dessa forma, é inaceitável que as escolas visem apenas conteúdos programáticos, ao invés de estimular no estudante o aprendizado crítico e seu papel social.
Não obstante, o desmazelo governamental corrobora na invisibilidade da questão. Mormente, de acordo com a OMS (Organização da Saúde), grande parte das epidemias são tropicais e 90% estão no Brasil. Sob esse ângulo, o país não investe em pesquisas, produção de vacinas e o controle de doenças como de Chagas, Malária e Amebíase, que afetam em maior proporção os indivíduos que vivem em condições precárias. Sendo assim, é inadmissível que a nação pertencente a esse contexto alarmante negligencie o pleno direito à saúde e o bem estar da população.
Torna se evidente, portanto, que o fator necessita de maior notabilidade. Logo, o Ministério da Educação deve criar uma disciplina extracurricular chamada ‘‘Programas de Saúde’’. Essa ação será feita por professores de biologia para alunos de ensino fundamental ao médio, com atuação fora do ambiente escolar, distribuição de cartilhas e visita domiciliar na vizinhança em grupos, a fim de elucidar os moradores sobre o impasse. Nesse ínterim, como proferiu Saramago ‘‘Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.’’