Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 28/08/2019

A revolta da vacina, no Rio de Janeiro, ocorreu no ano de 1904 e teve como estopim a aprovação de uma lei autoritária que estabelecia a vacinação obrigatória para o combate de epidemias que assolavam o estado. Nesse sentido, apesar de todos os avanços sociais e medicinais, o Brasil ainda encontra dificuldades em controlar a proliferação de doenças em território nacional, o que se deve a fatores como o desflorestamento e a educação escolar.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desmatamento representa um entrave para a diminuição de epidemias no Brasil. Esse cenário negativo ocorre, a medida que acontece a expansão da fronteira agrícola, novas áreas antes preservadas de floresta são destruídas, fazendo com que vetores de doenças presentes nesses espaços, como o Aedes aegypti, migrem param regiões urbanas, fator que auxilia na disseminação de doenças. Para ilustrar esse panorama prejudicial, segundo dados do Ministério da Saúde, aumentou em 149% o número de casos de dengue no país. Em consequência dessas ações antrópicas, a drástica elevação de enfermidades como, zika, dengue e chikungunya afetam, não só a qualidade de vida de inúmeros brasileiros, como também a produtividade nacional.

Não fosse o bastante, os prejuízos das atitudes humanas, as instituições de ensino também auxiliam no quadro de epidemias. Nesse sentido, uma atitude pedagógica escolar que privilegia acumulo conteudista e notas em detrimento de uma formação cidadã perde a oportunidade de desenvolver temas habituais de saúde pública e profilaxia. Consequentemente, essa conduta desvantajosa, faz com que inúmeros cidadãos desconheçam medidas que poderiam evitar uma maior dissipação de doenças, como retirar a água parada e não jogar lixos em terrenos baldios. Desse modo, percebe-se que mesmo séculos após a publicação, a frase de Kant, filósofo prussiano, ‘‘É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade’’, ratifica o caráter atemporal de uma educação de qualidade.

Tornam-se evidentes, portanto, os elementos que contribuem com o atual cenário desfavorável do Brasil. Cabe, ao Ministério do Meio Ambiente, fazer valer as políticas de desmatamento, por meio da fiscalização das áreas de fronteiras agrícolas, enquanto o Setor Legislativo, por sua vez, aumente a eficiência das penas punitivas por crimes ambientas, com o propósito de diminuir a transmigração de vetores e reduzir os casos de doenças. Por fim, o Ministério da Educação, deve acrescentar na Base Nacional Comum Curricular, por meio da reformulação da política de educação, propostas de uma pedagogia voltada para a cidadania, debatendo e esclarecendo temas de natureza cotidiana, a fim de esclarecer e apresentar temas de saúde pública para a minimização da difusão de enfermidades.