Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 23/09/2019

A Declaração Universal do Direitos Humanos, proposta pela Organização das Nações Unidas, é assegurada pelo artigo quinto da Constituição Federal (CF) -apelidada de cidadã- e garante o direito à saúde. No entanto, na atual realidade do Brasil, não observa-se isso, uma vez que epidemias e viroses, como a febre amarela e a dengue, evidenciam o despreparo governamental perante ao assunto. Por isso, faz-se necessário que medidas sejam tomadas, com o intuito de atenuar esse problema.

É relevante abordar, primeiramente, que as causas do despreparo do país são a falta de saneamento básico e o precário sistema de vacinação. Dessa forma, o descaso governamental quanto a esses problemas mostra-se evidente. Segundo o site da BBC Brasil, mais da metade da população do Brasil não possuem rede de esgoto. Assim, essa situação revela o que Gilberto Dimenstein discursa em seu livro “Cidadão de papel”, no qual ele cita que as leis funcionam na teoria, mas na realidade não são aplicadas. Além disso, tem-se a falta de estrutura do sistema único de saúde (SUS) em amenizar as crises epidêmicas, isso porque quando ocorre um surto -aumento descontrolado de infectados- os postos e hospitais ficam lotados e não conseguem amenizar o problema. Esse cenário foi vivenciado no início de 2019, quando ocorreu um aumento exacerbado de casos da Dengue e da Febre Amarela, deixando assim os centros de saúde lotados e ineficientes, sendo exibido pelos telejornais na época.

Em decorrência disso, consequências alarmantes são vistas no âmbito social. Uma delas é a vulnerabilidade, isto é, pessoas de baixa renda necessitam de assistência governamental para que os direitos assegurados pela CF sejam acessíveis, porém não possuem esse apoio, em sua totalidade, ficando à mercê da proliferação de doenças, uma vez que ambientes inóspitos atraem mais os agentes etimológicos. Isso é visualizado na obra “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, na qual são retratados os inúmeros casos de mortes pela varíola, por conta do abandono do governo. Somado a isso, há a falta de acesso à vacina e ao tratamento de viroses, por causa das lotações dos hospitais, dado que quando ocorre essa situação, as pessoas não conseguem se imunizarem e acabam infectadas ou mortas por doenças que já possuem meios de proteção, como a Febre Amarela.

Torna-se necessário, portanto, que o governo, por meio do Ministério da saúde, invista mais em estrutura para o SUS e no sistema de saneamento para a sociedade. Dessa forma, irá melhorar a eficiência e a eficácia dos postos e hospitais, assim como, também, a qualidade de vida daqueles que são afetados diretamente ou indiretamente com a falta de recursos. Essa ação, será feita com o intuito de diminuir a vulnerabilidade social pelo descaso do Estado e preparar o governo para lidar com viroses e epidemias, fazendo com que a CF seja seguida e realmente assegurada a todos os cidadãos.