Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 09/10/2019

A preocupação com a saúde pública no Brasil é motivo de discussões políticas há muito tempo, como no advento da Revolta da Vacina, no início do século XX. Com o objetivo de imunizar a população, o Estado brasileiro tentou obrigar os cidadãos a serem vacinados, porém a medida sofreu retaliações e não obteve êxito. Um século mais tarde, no que tange a questão das epidemias no país, percebe-se novamente a configuração de diversos desafios na saúde pública, em virtude da falta de representatividade científica e do individualismo das pessoas.

Como primeira constatação, a persistência dos desafios na saúde pública brasileira são intrinsecamente fomentados pela falta de representatividade científica. Com a onda de anticientificismo que perpassa os lares nacionais, a comunidade tende a desacreditar os efeitos positivos das vacinas e a repudiar os meios e soluções científicas que são propostas. Nesse sentido, se - segundo a revista Exame - 7% da população brasileira, em 2019, acredita na teoria de que a Terra é plana, evidencia-se o quão deturpado está a popularidade dos saberes científicos no país e, consequentemente, isso tende a fomentar diversas mazelas sociais, tais como a omissão dos pais em imunizarem seus filhos que, por conseguinte, promove diversas consequências, em especial a reincidência de doenças já erradicadas na nação e o aumento dos gastos públicos com o tratamento de enfermidades.

Ademais, em um segundo plano, o individualismo dos sujeitos é um mecanismo intenso desses impasses. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Assim, a falta de mobilização e união da comunidade em prol do combate às epidemias corrobora com o aumento do número de casos delas, o que, infelizmente, cria um ciclo vicioso, visto que o Estado sozinho não consegue solvê-las. Desse modo, o quadro do panorama líquido se configura como um importante desafio para a saúde pública no país.

Portanto, a falta de representatividade científica e o individualismo das pessoas são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se necessário que a comunidade, em parceria com profissionais da saúde, promova mutirões em prol da atenuação de epidemias no Brasil. Por meio de instruções médicas e da organização de grupos de cidadãos, agrupamentos devem se distribuir e realizar a disseminação de informações, nos centros urbanos dos municípios, acerca de como evitar as principais doenças que atingem as pessoas no país, erradicando, dessa forma, os desafios na saúde pública. Agindo assim, a construção de uma sociedade saudável tornar-se-á uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.