Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 18/10/2019

Saúde como dever de todos

Em tempos de constante movimento das massas, as novas epidemias consagram-se como grandes algozes da sociedade pós-moderna. Nesse sentido, o cenário fértil para a proliferação em escala exponencial das arboviroses sinaliza a urgência de um pacto entre o Estado e a sociedade no combate a esses males. Para isso, o conceito sistêmico da saúde, pautado na intersetorialidade das ações, surge como uma ampliação do cuidado, trazendo em seu bojo novas possibilidades para que, de fato, o Brasil não seja vencido por um mosquito.

As pragas do século XXI estão estreitamente relacionadas à quebra de fronteiras – marca emblemática da globalização. Da Dengue, passando pela Chikungunya até a Zika, o Brasil deve unir sua total capacidade para combater essas viroses que se expandem com alta velocidade e que, segundo a ONU, se transformam em desafios globais. Sobre a questão, no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz apontou que cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem em áreas endêmicas para a dengue e que o mosquito pode ser o vilão da microcefalia em bebês. Portanto, a nação brasileira apresenta-se como uma região de foco, de modo que a propagação das novas concepções do processo saúde-doença se evidencia, mais do que nunca, como uma ferramenta eficaz no combate ao surto.

As ações governamentais como a criação do Plano Nacional de Enfrentamento ao vírus Zika e a atuação constante dos agentes de controle dos focos de reprodução do vetor Aedes Aegypti são importantes, mas não são suficientes, uma vez que a responsabilidade individual também exerce alto grau de influência no controle e erradicação de tais epidemias. O cidadão deve cuidar do seu espaço físico numa colaboração para que a ação do Estado de combate seja de fato efetiva. Assim, a atuação multiprofissional das equipes, a ação conjunta dos serviços sociais, tais como o saneamento básico e o ambiente saudável, além da participação ativa de escolas na formação conscientizadora revelam que a saúde só pode ser garantida por diversos atores sociais com a participação real do próprio indivíduo.

Para Hipócrates, pai da Medicina, as forças naturais do ser humano são responsáveis por curar as doenças. Tendo em vista essa máxima, é essencial a responsabilidade individual manifestada em medidas como controle dos reservatórios de água parada nas residências e o uso de inseticidas eficazes, em conjunto à atuação governamental na ampliação dos Sistemas de Saúde baseados na resolutividade das ações. Isso será alcançado com políticas públicas pautadas na ideia de que a saúde é dever de todos e não se constrói sem a participação do cidadão.