Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 29/10/2019

As duas últimas décadas do século XX foram marcadas pelo combate à epidemia de AIDS em todo o mundo, situação que exigiu ampla ação de todos os setores sociais para a prevenção e controle da doença, assim como a não exclusão de pessoas afetadas. De modo semelhante, a sociedade brasileira hodierna enfrenta grandes desafios em relação ao controle de doenças epidêmicas, o que revela a insuficiência da ação do Estado e da população na questão e a necessidade da participação de ambos para a resolução do problema.

Inicialmente, é importante destacar a responsabilidade do Estado sobre a qualidade dos serviços de saúde e a prevenção de doenças, o que é feito de modo insuficiente no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito ao acesso adequado aos serviços de saúde, o que não corresponde à realidade do país, visto que é noticiado cotidianamente pelos meios de comunicação a existência de longas filas de espera em hospitais públicos, dificultando o atendimento médico dos indivíduos. Essa situação revela a falta de organização estrutural do serviço público de saúde e contribui para o quadro de epidemias, haja vista que leva à piora da saúde de doentes e à maior propagação de doenças pelos indivíduos não tratados.

Adicionalmente, a falta de engajamento da população na resolução de problemas sociais leva ao agravamento da situação. Segundo o filósofo grego Aristóteles, o homem é um animal político, sendo papel de todos os cidadãos agir de modo a garantir o bem comum e a felicidade geral da sociedade. Nesse sentido, é possível estabelecer uma falha do brasileiro em relação ao combate às doenças epidêmicas, visto que os indivíduos consideram como dever exclusivo das autoridades atuar na resoluções de problemas coletivos, e não dão destaque à ação individual. Assim, ainda que o Governo atue de modo adequado, a ausência de ação por parte dos cidadãos é um impedimento à solução do problema.

Destarte, é fundamental que haja uma cooperação entre o Poder Público e a população no sentido de aumentar a eficiência do combate a epidemias. Para isso, cabe à União aumentar o repasse financeiro dado a unidades básicas de saúde, com o objetivo de levar atendimento médico rápido e eficaz para indivíduos com quadros mais simples e, por conseguinte, mitigar os efeitos  de doenças e sua propagação, assim como é função do Ministério da Saúde veicular mensagens  de engajamento. Igualmente, é dever da sociedade brasileira tomar consciência de seu papel no enfrentamento de problemas sociais como o apresentado, por meio de discussões em locais de convivência, como casa, igrejas e escolas. Assim, o combate à epidemias será realizado de maneira mais efetiva no país.