Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 01/04/2020

O filme “Contágio”, de 2011, narra a dispersão de um vírus letal pelos Estados Unidos, explorando, sobretudo, as consequências deletérias desse agente patológico para a sociedade. Nesse tocante, o desenvolvimento científico, o qual culminou na criação de antibióticos, de vacinas e de melhores condições de higiene, contribuiu, sensivelmente, com o combate aos surtos epidêmicos. Não obstante os avanços científicos, a recorrência de epidemias ainda é, no Brasil hodierno, uma ameaça vigente, tendo em vista não só a negligência governamental no combate a essas doenças, mas também a desinformação populacional acerca dessas patologias. Acerca dessa lógica, esse cenário suscita a ação mais contundente do Poder Público e dos agentes sociais a fim de confrontar essas epidemias.

Nessa conjuntura, é pertinente salientar que as ações governamentais, no combate às epidemias, são insuficientes, propiciando, dessa forma, a disseminação destas pelo País. Sob essa óptica, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, são gastos, em média, apenas 3,6% do orçamento federal em saúde, em detrimento da média mundial de 11,7%. Nesse sentido, a negligência estatal, frente à problemática das epidemias, implica condições precárias do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual se torna incapaz de atender eficazmente a população vitimada por essas doenças. Destarte, urge que o Estado adote medidas voltadas para a melhoria do sistema de saúde público.

Outrossim, é de suma importância ressaltar que a desinformação populacional acerca das patologias epidêmicas, ou seja, os meios de contágio, os sintomas e o tratamento dessas doenças, é um fator primordial para a propagação de epidemias. Nessa perspectiva, a gripe espanhola, ao chegar ao Brasil, em 1918, foi tratada com indiferença por uma parcela populacional, até que a doença levou o presidente eleito, Rodrigues Alves, ao óbito, fato que estabeleceu a quarentena no território nacional. Desse modo, a desinformação, nesse contexto, compromete a atuação popular no enfrentamento das epidemias. Faz-se premente, pois, que os agentes sociais atuem no combate à desinformação e às suas consequências, visando à mitigação desse panorama adverso.

À luz dessas considerações, medidas são fulcrais a fim de amenizar esse entrave. Dessa forma, é crucial que o Governo Federal propicie a qualificação do SUS, visando ao combate de epidemias, por intermédio da contratação de novos médicos e enfermeiros, por meio da realização de concursos públicos, com o fito de promover o combate mais eficaz aos surtos patológicos. Ademais, é essencial que a mídia aborde, de maneira informativa, nas telenovelas, a temática das epidemias, com o escopo de atenuar as implicações deletérias da desinformação no que tange ao combate desses surtos. Assim sendo, com essas medidas, será possível evitar a concretização da realidade do filme “Contágio”.