Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/03/2020
A Peste Negra, pandemia responsável pela morte de um terço da população da Europa durante a Baixa Idade Média, foi amplamente intensificada pelo baixo preparo da sociedade da época para conter catástrofes desse tipo, resultando nesses números horrendos. Hodiernamente, observa-se que o Brasil, devido a falhas estruturais e informacionais, tem grandes problemas para conter epidemias, propiciando o surgimento de doenças que causam graves deletérios, especialmente na população mais pobre. Desse modo, é extremamente importante a intervenção do Estado para amenizar esse quadro.
A priori, nota-se que o Brasil sofre com uma grave crise sanitária. Esse fato é confirmado pelas estatísticas do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, que apontam que aproximadamente metade da população não tem acesso a esgotamento. Consequentemente, a proliferação de doenças que triunfam em ambientes carentes nesse aspecto, como as zoonoses associadas ao mosquito Aedes aegypti, é intensamente amplificada, gerando graves quadros epidêmicos sazonais. Nessa conjuntura, ressalta-se a importância da expansão do alcance do saneamento básico para proteger a população dessas enfermidades.
A posteriori, percebe-se que a falta de informação acerca de epidemias é um grande entrave à contenção dos mesmas. Essa situação é exemplificada pela série “Sex Education”, na qual um dos episódios trata de um surto de clamídia, infecção sexualmente transmissível, que afeta a escola de Moordale, quadro que é agravado pela desinformação dos alunos sobre a doença, que chegam a afirmar que ela é espalhada pelo ar. Analogamente, nota-se, na realidade, que parte de população não tem acesso ao conhecimento sobre o modo de prevenção e de transmissão de doenças contagiosas, o que favorece a disseminação delas. Desse modo, é vital que o desconhecimento sobre essas enfermidades epidêmicas, especialmente por parte da população mais desfavorecida, seja eliminado.
Em síntese, observa-se que o combate às epidemias é diretamente associado ao aprimoramento do saneamento básico e do acesso à informação. Portanto, compete ao Estado, associado ao Ministério da Saúde, a expansão da rede sanitária, por meio de parcerias público-privadas com empresas, que receberiam isenções fiscais para melhor executarem seus serviços, com a finalidade de conter a proliferação de doenças que se espalhem em ambientes sujos. Ademais, cabe ao mesmo Ministério da Saúde a criação de campanhas de prevenção de epidemias, com foco em regiões marginalizadas, com o intuito de garantir que suas populações tenham acesso a informações vitais para a proteção contra surtos. Dessa forma, o Brasil terá o preparo que faltou à população europeia da Idade Média, estando apto a proteger seu povo de quaisquer mazelas.