Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/09/2020

As epidemias remontam ao Período Colonial, com o contato entre colonizadores, que traziam consigo patógenos do Velho Continente, e nativos, que tiveram suas populações dizimadas por várias doenças, a exemplo da varíola. Não obstante, com a tendência de homogeneização cultural e de conectividade entre países, contágios em massa se fazem cada vez mais recorrentes, o que representa uma ameaça à sustentabilidade da economia e à segurança dos cidadãos. Diante disso, torna-se pertinente analisar desafios enfrentados pela saúde pública no âmbito do combate a epidemias no Brasil.

A princípio, o diagnóstico dos primeiros sinais de uma pandemia, bem como a rapidez da aplicabilidade de medidas profiláticas, configura-se como um desafio. De acordo com o epidemiologista Oswaldo Cruz, a medicina preventiva deve ser o princípio das políticas do sistema público de saúde. Nessa lógica, observa-se que as proporções do impacto econômico e social de surtos de doenças, emergentes ou antes erradicadas, são delineadas, principalmente, pela velocidade da identificação da questão e da implementação de medidas que visem conscientizar a população, evitar a evolução do número de casos e a superlotação de hospitais.

Outrossim, o enfrentamento dessa questão é dificultado severamente pela má gestão de recursos governamentais e hospitalares. De acordo com Zygmunt Bauman, “Instituições Zumbis” são órgãos governamentais que perderam sua efetiva função social. Nessa perspectiva, o Estado quando não faz um bom uso de recursos públicos para arrefecer surtos e epidemias, seja por uma gestão não satisfatória, seja pelo desvio ativo desses recursos para outras esferas, mostra-se ineficiente em sua função mais primordial: garantir a segurança dos cidadãos e, configura-se, assim, como uma ‘‘instituição zumbi’’, ou seja, meramente figurativa e letárgica na sua atividade.

Urge, portanto, que o Estado e suas instituições, alinhem-se com a sociedade para mitigar a problemática. Logo, atribui-se ao Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, o papel de propiciar a realização pesquisas no âmbito de identificação de doenças que atingem o país, por meio do envio de recursos, a fim de buscar soluções profiláticas e emergenciais ao surgimento de pandemias, além de desenvolver medicamentos e vacinas para tratar, com eficiência, os sintomas das doenças e imunizar a população. Ademais, a legislação deverá ser atualizada no que tange à utilização devida de recursos públicos em situações atípicas, como a ocorrência de uma pandemia de grande impacto, com a implementação de medidas de fiscalização austeras e de transparência. Assim, o sistema público poderá lidar com epidemias eficientemente, como sugeriu Oswaldo Cruz, com a medicina preventiva.