Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 06/04/2020
Engajamento popular. Essa é a melhor ação a ser desenvolvida por todos os brasileiros, a fim de lidar com a propagação de epidemias. Entretanto, tal prática não tem atingido seus objetivos devido à alienação de boa parte dos brasileiros e à falibilidade estatal. Destarte, é irrefutável que ocorra uma alteração do comportamento letárgico vigente do corpo coletivo e uma remodelação dos projetos midiáticos e governamentais, com o intuito de desconstruir esse contexto áspero.
Nesse sentido, a grande dificuldade na prevenção de epidemias no Brasil é uma consequência direta da alienação de boa parte da população. Consoante a teoria “Banalidade do Mal”, alvitrada pela filósofa Hannah Arendt, uma sociedade massificada tende a construir indivíduos inaptos a enfrentar simples situações cotidianas. Sob esse viés ideológico, percebe-se a pertinência de tal hipótese na compreensão da atual conjuntura brasileira, na qual uma parcela dos sujeitos comporta-se apática diante de questões que lesam o próprio tecido social - como a probabilidade da disseminação de epidemias, porquanto desconhece as medidas profiláticas. Desse modo, verifica-se a necessidade de ações urgentes e afirmativas para mitigar esses paradigmas que precedem regressões societárias.
Outrossim, constata-se que, a princípio, a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos multíplices direitos sociais e fundamentais. Não obstante, na prática, ao analisar a precário condicionamento da saúde pública no combate ao surto de doenças infectocontagiosas, percebe-se a concretização do conceito de “Cidadania de papel”, proposto pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein. Tal ótica deduz que, embora o Brasil apresente leis consistentes que abrangem diversos setores, elas se limitam ao plano teórico - como o direito à saúde, que, ao não ser plenamente exercido na prática, tem como possível consequência a disseminação de enfermidades com alta probabilidade de contágio, as quais podem se tornar epidemias. Em síntese, entende-se que o Poder Público, por assistir inerte ao agravamento da problemática, contribui para a perpetuação desse contexto caótico.
Urgem, portanto, ações sinérgicas entre os atores sociais, com o intuito de lidar objetivamente com as epidemias no Brasil. Para tanto, a mídia - principal canal de comunicação hodierno - deve estabelecer campanhas que, por meio de amplas divulgações, instruam a população acerca das medidas profiláticas das principais doenças contagiosas, a fim de superar a postura apática supracitada. Ademais, compete ao Governo implementar, por intermédio de maciços investimentos, projetos de incentivo à pesquisa na área biomédica, com o escopo de desenvolver métodos realmente eficazes de prevenção e tratamento de possíveis surtos. Por fim, tais ações sociais serão o início de uma era na qual a sociedade, dotada de engajamento popular e apoio governamental, possa progredir.