Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 08/04/2020

Segundo o pensamento de Jacques Bossuet, teólogo francês do século XVI: “a saúde depende mais das precauções que dos médicos”. No entanto, a pouca compreensão sobre a saúde e a falta de recursos nas unidades médicas, são fatores que causam não só muita dificuldade aos governantes, como também desavenças para que a população entenda a necessidade de cuidados a enfermidades que não são até então um problema. Dessa forma, a informação e o aprimoramento das áreas de saúde fazem-se mais que necessários ao buscar combater uma epidemia.

A priori, cabe destacar o livro “A peste”, de Albert Camus, como exemplo das consequências deixadas pela desinformação acerca da saúde. Nesta obra é retratada a cidade de Orã, no litoral da Argélia, que sofre com um surto de peste bubônica devido a negligência de um renomado médico da região, que mesmo após perceber a grande quantidade de mortos e também os sintomas, negou a volta da peste, o que acarretou uma série de complicações para contê-la posteriormente. Assim, percebe-se de maneira análoga, que a falta de planejamento e informação podem ocasionar uma situação muito pior e difícil de controlar.

A posteriori, infere-se que as autoridades responsáveis não estão destinando verbas suficientes para que haja melhorias consideráveis em tal setor. Uma vez que segundo dados apresentados pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde, o Brasil tem o menor porcentual de investimento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), sendo apenas 4,7% em saúde, índice muito inferior aos gastos de outros países, onde os percentuais de investimento variam de 7,6% a 9,0%. Ademais, além do baixo investimento, ainda há uma má administração da pequena parcela de capital destinada a essa área.

Em suma, percebe-se que os desafios para o combate a epidemias no Brasil são muitos, com destaque à falta de investimentos e também para a desinformação das pessoas. Destarte, é possível sanar tais carências com um maior investimento do governo, por meio da aplicação direta de capital nos setores que tangem a saúde e bem estar, visando proporcionar à população uma melhor qualidade de vida. Em segundo plano, também é necessário que a mídia promulgue campanhas informativas, em sites, jornais e revistas, no que diz respeito a prevenção de possíveis doenças, para assim termos uma massa ciente dos riscos que esses males causam. De tal modo, será possível que casos como o de Orã não venham a acontecer fora das páginas de livros.