Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 09/04/2020
Para o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um grande organismo, em que as funções realizadas pelos membros individuais são essenciais ao desempenho harmônico e coeso do todo. No Brasil contemporâneo, entretanto, a postura omissa de parte dos indivíduos e do Estado com a saúde pública compromete o funcionamento da vida social, em especial em momentos de epidemias. Logo, medidas governamentais e sociais fazem-se necessárias com o fito de se modificar esse alarmante cenário.
Cabe ressaltar, a priori, o individualismo como fator de destaque na intensificação de problemas de saúde pública. A esse respeito, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman defende, a partir da obra “Modernidade Líquida”, a tese segundo a qual o indivíduo pós-moderno é indiferente ao bem-comum. Desse modo, a postura individualista de muitos brasileiros frente ao combate do Covid-19, na qual avalia-se apenas os riscos para si e desconsidera-se as consequências para os grupos de riscos, vai ao encontro da teoria exposta por Bauman e ratifica a urgência de se trabalhar essa preocupante mentalidade desde a infância nos espaços escolares.
Outrossim, o descaso estatal com a questão da saúde pública configura-se como outro desafio para lidar com epidemias no Brasil. Sob essa óptica, de acordo com dados divulgados pelo portal G1, apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é destinado ao desenvolvimento pesquisas científicas. Em consequência disso, quando o País se depara com questões epidemiológicas apresenta dificuldades em apresentar tratamentos eficazes contra novas doenças ou em desenvolver vacinas que as combatam. Dessa maneira, o Governo, ao neglicenciar o campo da ciência, põe em risco um direito previsto em Constituição: a saúde coletiva.
Portanto, com o objetivo de alterar esse lamentável panorama social, urge que a Escola, enquanto importante agente de formação, promova, com veemência, o debate acerca da importância do pensamento coletivo para a vida em sociedade. Tal medida pode ser realizada por meio de rodas de conversa e de atividades extracurriculares que estimulem interações grupais, com a participação interativa entre alunos. É essencial ainda, que o Governo, por intermédio do redirecionamento de verbas públicas, prevista pela Lei Orçamentária Anual, destine mais recursos ao desenvolvimento de pesquisas científicas, garantindo, assim, que cada membro da sociedade cumpra devidamente seu papel, como proposto por Durhkeim.