Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 12/04/2020
A Peste Negra do século XIV, para a Europa, foi um período que, mediante uma doença transmitida por ratos, representou a morte de cerca de 50 milhões de indivíduos - uma questão de salubridade. Anacronicamente, no Brasil, a sociedade enfrenta, de maneira atávica, nefastos cenários de epidemias e de surtos patogênicos. Dessarte, hoje, esse tema toma espaço em razão, sobretudo, da falta de saneamento básico e da descrença popular, sendo, assim, ímpar uma maior análise.
De início, cabe ressaltar que o povo brasileiro é um dos que mais carecem de medidas básicas no que concerne à saúde, mesmo que, conforme o Artigo 6 da Constituição Federal, tenha garantido o acesso a tal. Isso porquanto, em virtude do desprezo estatal, as regiões menos abastadas do país são, frequentemente, ignoradas em face de suas mazelas - o que se traduz na ausência de salubridade para muitos. Sob esse prisma, é mister compreender o livro “O Cidadão de Papel”, do escritor brasileiro Gilberto D., no qual se preconiza o caráter intimamente teórico e ineficaz das leis no Brasil. Logo, é notório que o próprio Governo, ao perpetuar aversão às leis direcionadas à população, age com dolo e torna-se coautor da consolidação de epidemias no país, haja vista seu desprezo e inação perante o saneamento trivial mormente em áreas suburbanas no âmbito nacional.
Ademais, é evidente que os cidadãos, por sua vez, emplacam, cada vez mais, um ceticismo tortuoso para com a existência das epidemias. Para se depreender disso, vale citar o livro “Homo ludens”, do holandês Johan Huizinga, no qual o autor oferece uma reflexão acerca de um ímpeto humano em crêr no que perpassa ora o real, ora a ciência, caracterizando-o como “natureza lúdica”. Nesse sentido, em detrimento de agir corretamente, muitos indivíduos, devido à “natureza lúdica” exacerbada, opoem-se às ações esperadas de combate a doenças, o que impacta a sociedade como um todo. Evidência disso é a Revolta da Vacina, de 1904, a qual marcou o confronto popular às vacinas, motivado pela teoria de que tais agulhas eliminariam o povo - comportamento errôneo e lúdico frente a uma benesse biomédica.
Portanto, infere-se que, visto as razões e manifestações da problemática, é urgente a tomada de atitude tanto governamental quanto cidadã objetivando dissolver tal conjuntura. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, enquanto instância máxima desse âmbito, o dever de levar a todo o Brasil medidas de saneamento básico, por meio de programas e políticas públicas, a fim de garantir esse direito aos indivíduos. Além disso, cabe à sociedade fomentar discussões, por meio das redes sociais, sobre a veracidade das epidemias, instruindo como cada um deve agir. Somente assim, observar-se-ia um país potencialmente livre desse problema e que diverge da Europa do século XIV.