Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 03/06/2020
Com a chegada da família real portuguesa no Brasil, no ano de 1808, foram criadas as primeiras escolas de medicina do país, melhorando a qualidade do serviço de saúde brasileiro da época. No entanto, tal serviço ainda é bastante precário, principalmente quando há um surto de infecções por uma só doença, atribuindo tal fato não só ao pouco investimento em infraestrutura hospitalar, como também, à desinformação populacional sobre tais enfermidades e como preveni-las, inviabilizando o tratamento de muitos indivíduos doentes.
É imperativo que muitos hospitais brasileiros, principalmente os públicos, não ofertam um serviço médico adequado devido a falta de verba, gerando a ausência de profissionais, medicamentos e leitos em um momento epidemiológico. Diante desse contexto, pode-se observar que, no Brasil, apenas 8% do Produto Interno Bruto é direcionado para os serviços de saúde, de acordo com dados da OMS. Nota-se que tal fato gera um ambiente precário e inviável para receber vários pacientes de uma vez só, como ocorre em momentos de epidemia, culminando na superlotação desses espaços e, consequentemente, na morte de muitos indivíduos por falta de recursos necessários. Nesse sentido, um redirecionamento dos gastos públicos para área da saúde podem se tornar uma opção viável na solução de tal problema, visando a ampliação de leitos e a modernização dos pontos de atendimento.
Outrossim, vale salientar que a falta de informações sobre a identificação e prevenção de doenças infecciosas leva a um crescimento descontrolado da enfermidade. No século XX, houve um surto de varíola no Brasil, e o médico Oswaldo de Andrade decretou que a vacinação seria obrigatória, visando a amenizar a situação. No entanto, a população não tinha conhecimento sobre tal procedimento, o que gerou a Revolta da Vacina, dificultando ainda mais o combate da doença que afetava muitos cidadãos brasileiros. Desse modo, observa-se que a ignorância pode não só aumentar o número de infectados, pois não há conhecimentos sobre prevenção, como também, gera entraves na busca da diminuição do número de pessoas doentes por causa do medo desses métodos desconhecidos.
Diante dos argumentos supracitados, urge que o Ministério da Saúde desenvolva medidas que combatam a precariedade do sistema de saúde no combate as epidemias. Sob tal óptica, tal órgão deve investir na elaboração de palestras em escolas e universidades, ministradas por médicos infectologistas, por meio de videos educativos e interativos, trazendo informações sobre como prevenir as doenças que mais afetam as pessoas do país e a importância desse conhecimento na diminuição de mortes por tal enfermidade, com o fito de evitar que haja a superlotação dos espaços hospitalares e a falta de recursos pela grande demanda, melhorando, assim, o sistema de saúde diante dessa situação.