Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 20/04/2020

Durante o período da República Oligárquica, nos centros tão debilitados do Rio de Janeiro ocorreu o que hoje conhecemos como a Revolta da Vacina; tal fato ocorreu pela falta de conscientização do povo que viria a ser forçado a se vacinar e, dadas as mazelas sociais e econômicas que enfrentava, não entendia os benefícios da vacinação. Hodiernamente, ainda que distantes da República Velha, uma parcela da sociedade ainda enfrenta problemas de saneamento básico que tem seu risco agravado por mobilizações sociais em ascensão.

Em uma primeira análise é explícito que a mesma carência de saneamento básico que anteriormente afetava os centros do Rio de Janeiro hoje afeta as periferias de diversas cidades. Como comprova a pesquisa do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2017 que exibiu que 48% da população brasileira não possui coleta de esgoto, um dos principais gargalos tratando-se de cuidados com o saneamento básico da população. O tratamento para evitar a propagação de doenças epidemiológicas é, exclusivamente, feito pelo SUS, porém visto o contexto exposto acima faz-se necessário a tomada de outras ações para profilaxia dessas doenças.

Outro aspecto a ser abordado é o movimento antivacina, uma mobilização social que resultou de uma sociedade que não teve vivência com a mortalidade das enfermidades de epidemias e, portanto, não tem ciência do seu risco como um todo. Tal movimento promove que o povo pare de seguir o calendário de vacinação proposto pelo governo, usando do medo e da conspiração como ferramenta de propagação de suas ideias. Nota-se que esta atitude foi prevista pelo filósofo Edmund Burke quando disse que “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” e deve ser evitada com urgência pois essas ideias em conjunto com a falta de saneamento básico encontrada em zonas periféricas do país geram um risco desmedido para a sociedade.

Diante dos argumentos supracitados é evidente a urgência de medidas para a profilaxia de possíveis epidemias, portanto, faz-se necessário que o Poder Executivo institua uma emenda que exija um nível mínimo de diversos fatores que contribuam para o saneamento básico, aplicando uma multa aos Governos Estaduais que não atinjam tal nível em suas cidades. Tais multas seriam convertidas pelo Ministério da Saúde em verbas para promoção de campanhas em meios midiáticos sobre a importância da vacinação para a sociedade, pois a informação pode salvar uma sociedade que carece de conhecimentos básicos, dificultando assim a propagação de epidemias no Brasil através de uma reeducação da sociedade.