Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/04/2020
Assim como na famosa saga “Maze Runner”, na qual o vírus do Fulgor se espalha rapidamente na população e causa uma situação distópica, epidemias no Brasil afetam a sociedade atual. No entanto, tal problemática que causa risco ao sistema de saúde do país, e assim aos seus habitantes, pode ser amenizada por atitudes e métodos preventivos hodiernamente negligenciados.
Constata-se, em primeiro plano, que a situação precária do sistema de saúde tanto prejudica o tratamento de epidemias como é agravada por elas. Desse modo, a fragilização do SUS, visível frente a surtos epidemiológicos de acordo com o diretor da Fenasps Moacir Lopes, vai contra o dever instituído na Carta Magna de redução dos riscos de doenças mediante investimentos socioeconômicos. Por conseguinte, a falta de insumos e condições de trabalho aos profissionais de saúde é catalisada numa epidemia, aonde acontece o aumento exponencial de casos de uma doença em um curto espaço de tempo. Outrossim, conforme o MS, mais de 70% dos brasileiros depende exclusivamente desse sistema, sabidamente, os mais pobres, que também têm menos assistência hospitalar e sofrem mais nas epidemias por sua condição econômica, que delimita sua exposição aos agentes infecciosos e seu acesso aos remédios.
Em segundo plano, sabe-se que a prevenção por meio de vacinas e medidas de higiene minimiza uma epidemia; entretanto, sua efetividade é diminuída por desmazelo. Nesse sentido, de acordo com o historiador Laurent Henri, uma epidemia é um momento de teste para uma sociedade. Assim sendo, o corpo social brasileiro tem maus resultados, haja vista movimentos anti-vacina que permeiam a sociedade civil e que são condicionados a informações falsas. Ademais, a falta de vacinas essenciais nas Unidades Básicas corrobora para a queda das taxas de imunização. Por fim, o Saneamento Básico, defendido desde Carlos Chagas por seu projeto de Educação Sanitária, é insuficiente, e falta para 35,7% da população de acordo com o IBGE. Dessa forma, doenças epidêmicas como dengue e malária são potencializadas por causa do esgoto a céu aberto e outras mazelas.
Dado o exposto, portanto, urge que medidas sejam tomadas. Assim, cabe ao Governo Federal aumentar o orçamento para o SUS, de modo que ele tenha mais recursos e que seus gestores sejam mais capacitados. Além disso, a esfera municipal deve priorizar a atenção básica por meio de políticas públicas – tanto nas unidades de saúde, a fim de promover a vacinação, como no saneamento, para dar condições de que nenhuma epidemia torne o Brasil em um cenário distópico.