Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/04/2020
Setembro de 2013, cientistas falharam em combater um surto de uma epidemia que destrói grande parte da humanidade em vinte anos. O cenário pós-apocalíptico experienciado no jogo The Last of Us ilustra como um fungo ou vírus pode ser devastador se medidas contingenciais não forem tomadas. Entretanto, o sistema de saúde pública carece de infraestrutura tanto para campanhas preventivas quanto para o suporte médico dos que necessitam de atendimento.
É incontestável que a vacina foi uma das maiores invenções da humanidade, prevenindo doenças virais como a varíola e a febre amarela que foram quase erradicadas logo no início do século XX. Este fato histórico reflete como as políticas preventivas serão significativamente mais efetivas do que os esforços de cura dos pacientes, parafraseando o dito popular “é melhor prevenir do que remediar”. Um exemplo disso foi um surto de sarampo no final do século XX, decorrente da negligencia da imunização, acontecendo mesmo depois da erradicação da doença. Contudo, os recursos médicos quase sempre tratam os sintomas de indivíduos já infectados, quando a prevenção do contágio poderia ser menos custosa e dolorosa, consequentemente aliviando a lotação de hospitais e o gasto com paliativos.
A despeito desta necessidade de investimentos na imunização e no tratamento, é lamentável que o Sistema Único de Saúde tenha uma estrutura tão precária para enfrentar grandes picos de epidemias virais. Mesmo com esses vírus contidos os centros médicos apresentam falta de profissionais e de materiais, tanto mais essas unidades de saúde ficarão caóticas caso uma ameaça biológica superlote os leitos e respiradores disponíveis, como a pandemia de Sars-Cov-2 levou os hospitais da Itália a um colapso. Sem duvida, essa insuficiência decorre da falta de verba pública destinada à saúde, que inúmeras vezes tem sido desviada para o bolso de políticos sem escrúpulos.
Portanto, tendo em mente as dificuldades enfrentadas pelo SUS, e os efeitos disso nos brasileiros, um aumento da verba destinada à saúde, da parte do Governo Federal, para que o sistema de saúde possa atender as demandas de um possível surto, além de promover campanhas de prevenção e estudo de novas ameaças. Desse modo, a distopia presente em The Last of Us que se vivencia em pequena escala nos hospitais sem estrutura será amenizada e aos poucos se tornando mais eficaz no combate e na cura de novas doenças.