Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/04/2020
Em 1918, um vírus letal espalhou-se pelo mundo, dizimando mais de 500 milhões de pessoas; doença popularmente conhecida como Gripe Espanhola. Naquele ano, navios que navegavam pelo mundo entregando correspondências chegaram ao Brasil trazendo consigo a Influenza Espanhola. Mesmo que algumas medidas de prevenção tivessem sido tomadas, 50 milhões de pessoas morreram, porque não haviam recursos necessários ajudassem a - pelo menos - tratar a doença. Infelizmente, o Brasil ainda não está preparado para enfrentar qualquer tipo de epidemia, ou pandemia, como essa ou a que estamos vivenciando hoje.
E se tratando desse assunto, podemos usar como referência o COVID-19 e todas as dificuldades que as unidades do SUS vem enfrentando nesses dias de crise. No cenário atual, o Sistema Único de Saúde cobre 75% da população brasileira, o que não seria um real problema, já que a “essência” desse sistema leva em conta que: todos tem o direito de acesso à saúde. Entretanto, apenas no ano de 2017, o governo bloqueou mais de 40 bilhões de reais destinados aos gastos públicos, incluindo o SUS; e mesmo que os gastos tenham permanecido “estáveis”, nivelado com os anos anteriores, a verba que se tinha era expressivamente menor (3,6% do orçamento estatal), dificultando o desenvolvimento e a melhora dos recursos a serem utilizados em prol da saúde dos brasileiros. E sem os recursos necessários, não há como tratar, muito menos conter certos surtos de doenças epidemiológicas como Sarampo, Febre Amarela ou, como agora, o Corona Vírus.
Outro tópico importante das inúmeras dificuldades enfrentadas pelo SUS é a falta de profissionais dispostos a trabalharem em áreas da saúde pública, porque ninguém está disposto a se submeter as infraestruturas precárias de um hospital público, a falta de higiene desses locais, a alta carga horária e os baixos salários; então o mais fácil é optar pelas clínicas privadas, onde há estabilidade do que enfrentar todos os descasos do governo com a saúde pública. E como “um problema puxa o outro”, a falta de profissionais, médicos e enfermeiros, acarreta na superlotação das unidades de saúde e gera listas de espera enormes, podendo demorar anos para que o enfermo possa consultar.
Uma das diversas formas de combate a essas dificuldades, principalmente com a que vivemos atualmente, é a prevenção; cumprir as medidas de prevenção faria com que a superlotação dos postos e hospitais diminuísse e facilitasse o trabalho dos médicos, para que isso acontecesse, deveriam haver mais campanhas de conscientização patenteadas pelo governo para realmente alertar a população dos riscos correntes. Campanhas de vacinação para evitar outras doenças, como a gripe, também “desafogariam” as unidades públicas, facilitando o tratamento de outras patologias.