Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 22/04/2020
A varíola, doença infecto-contagiosa que assolou a população mundial, se proliferou no Brasil no ano de 1902 devido à falta de saneamento básico nas grandes cidades, que abrangiam grandes contingentes populacionais. Como medida de reversão ao quadro, no Rio de Janeiro, houve saneamento nas avenidas, uma forma de reurbanização da cidade, desalojando populações carentes, que foram obrigados a mudarem-se para ambientes mais insalubres, aumentando o seu contágio à doença. Esse cenário caótico culminou na Revolta da Vacina, fato histórico que representa a falta de assistência dada pelo Governo aos pobres, que devido à falta de medidas profiláticas efetivas, são os mais afetados por doenças, gerando uma epidemia, por serem uma maioria.
Na sociedade hodierna, exemplifica-se tal ato supracitado no Nordeste, onde a maior quantidade de afetados pelo vírus da zika lá se encontra. Cidades com esgoto a céu aberto, grandes focos de mosquitos estão associados à ausência de orientação e conscientização da população, adjunto à inexatidão da assistência dos municípios, que possuem insuficientes verbas governamentais. Ademais, a superlotação de hospitais resulta da impossibilidade do SUS -Sistema Único de Saúde- de abranger todos os indivíduos enfermos, aumentando a taxa de mortalidade da região. Outrossim, a questão da saúde de um país deve ser priorizada pois, com o desenvolvimento de uma epidemia, a população doente se torna incapaz de produzir e gerar lucros à nação, desequilibrando a economia e a política, ocasionando graves crises de difícil reversão.
No livro célebre Capitães da Areia, Jorge de Amado, através de uma sondagem vigorosa da realidade vivida ao seu redor, retratou a realidade de jovens e crianças moradoras de ruas baianas, que por necessidade, furtavam diariamente para suprir necessidades básicas. Esses indivíduos ignorados pela sociedade são os mais propensos a manifestarem e desenvolverem surtos epidêmicos, necessitando de uma atenção privilegiada por não terem a quem recorrer.
Infere-se portanto, que medidas profiláticas eficazes sejam impostas para evitar o surto e desenvolvimento de epidemias no Brasil. O Estado, por meio de verbas governamentais, deve agir erradicando imbróglios que possam vir a acometer a saúde da população, não de maneira igualitária, mas de acordo com as necessidades de cada região, levando em consideração seus recursos e infraestrutura. Não obstante, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Saúde, deve atuar redirecionando meios para o SUS, garantindo a sociedade seus direitos previstos na Constituição, de atendimento médico básico da melhor qualidade, além de campanhas preventivas, realizadas de maneira gradual por agentes de saúde, com o fito de conscientizar a população de seus deveres.