Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 13/05/2020
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para grande parte da população, que são gravemente afetados pelas epidemias, como: dengue, H1N1, sarampo. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por essas pessoas, a má influência midiática e o individualismo acabam por contribuir com a concretização desses surtos.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o problema é agravado pela má influência da mídia. Conforme Pierre Bourdieu, um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, tratando de forma silenciada os desafios para erradicar as epidemias. Diante disso, muitos não sabem como se prevenir, tratar, ou mesmo, os sintomas dessas epidemias, entre outras orientações essenciais para combater as doenças, o que agrava essa problemática.
Ademais, é imperativo ressaltar o individualismo como promotor do problema. Na obra “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman, defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar, apenas, para si. Nesse sentido, Essa liquidez, que influi sobre a questão da doação de órgãos, funciona como um forte empecilho para sua resolução. Ora, pode-se, portanto, dizer como antéticas, atitudes definidas por Aristóteles que não visassem o bem comum, as medidas tomadas por essas pessoas e pela mídia, que não cumprem o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, que garante o direito à saúde para toda a população brasileira.
Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Destarte, especialistas no assunto, com o apoio de Organizações não governamentais, também especializadas, devem desenvolver ações, com o objetivo de reverter a má influência midiática sobre as epidemias, no contexto brasileiro. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão -comparando o tratamento que a mídia dá, com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema-. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo desses surtos, e a coletividade aproximará da realidade descrita por Platão.