Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 05/05/2020
No Brasil, reestruturar o sistema de prevenção contra epidemias, constitui um problema sociopolítico. Tal aspecto, devido não só à histórica falta de informação popular, mas também à negligência estatal, esbarra em questões coletivas, visto que a banalidade diante desse assunto torna-o crescente. Dessa forma, construir mecanismos colaborativos, cujo propósito sejam mudanças de hábitos, mostra-se urgentemente necessário.
Nesse sentido, consta-se a ineficiência no controle sanitário no país desde o período do Brasil República. Sob essa vertente, na cidade do Rio de Janeiro, num cenário caracterizado pela ação governamental no controle de epidemias, foi instituída uma campanha de vacinação obrigatória, marcada pela grande violência e pela falta de esclarecimento público sobre as vantagens da imunização, em que agentes sanitários invadiram as residências com a ajuda policial e vacinavam as pessoas por meio do uso da força. Em paralelo com a contemporaneidade, tal contexto de alienação pública, quanto ao conhecimento dos benefícios dessa medida profilática, mostra-se persistente, visto que são crescentes os adeptos a ideologias anti-vacinação, que tem como efeito o aumento da proliferação de surtos e pragas nas regiões. Logo, não é razoável que o País almeje tornar-se uma nação progressista, mas ainda mantenha-se preso a padrões retrógrados.
Outrossim, é valido ressaltar o conceito formulado pelo sociólogo Erving Goffman de ‘‘mortificação do eu’’, em que o indivíduo passa a projetar-se de forma indiferente, e por conseguinte negligente. No qual, mostra forte relação com as inertes abordagens estatais para a restauração do sistema de vigilância sanitária, pois são mínimas as porcentagens de verbas destinadas aos setores de ciência e tecnologia, que contudo são altamente relevantes para o desenvolvimento e evolução da área de saúde no país. Destarte, o reposicionamento dos serviços do Estado, de maneira de fato mais efetiva, é inerente.
Portanto, faz-se necessário ações cinérgicas dos atores sociais para a formulação de medidas preventivas de qualidade. Para tanto, o Governo deve distribuir em escolas e espaços públicos, cartilhas didáticas com medidas profiláticas, com a sua ampliação nas mídias digitais, de modo que haja a disseminação de informação verídica à população. Além também, da promoção de um maior financiamento de estudos em universidades e centros de pesquisas que colaborem para o avanço da área da saúde. A fim de que, dessa maneira, o quadro problemático passado minimíze-se, e o País caminhe em prol da coletividade.