Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 14/05/2020
Em “Contágio” - filme de 2011 - a humanidade é afetada por uma epidemia global, quando um vírus altamente transmissível e letal atinge a população e, enquanto a comunidade médica busca uma solução, o caos domina o mundo. Embora fictício, tal cenário assemelha-se aos desafios na saúde pública ao lidar com epidemias no Brasil. Diante disso, é fundamental analisar o atual panorama para desconstruir que persiste seja pela precariedade do sistema de saneamento básico, seja pela ignorância populacional para desconstruir essa realidade tupiniquim.
Em primeira análise, é imperativo salientar as precárias condições do saneamento básico e, até mesmo, sua ausência em zonas rurais. Comprovadamente, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional referente a 2018, cerca de 50% da população tem acesso à rede de esgoto. Dessa forma, apesar da Lei de Saneamento Básico - vigorada em 2007 - cujo objetivo é garantir serviços primários de infraestrutura, a precária condição desse sistema em algumas regiões do país evidencia a vulnerabilidade imunológica dos cidadãos e a facilidade de disseminação de epidemias pelo território brasileiro.
Outrossim, a falta de informação e a negligência populacional acerca dos meios de prevenção corroboram para a difusão de doenças epidêmicas. Analogamente, a Revolta da Vacina foi uma rebelião popular contra a campanha de vacinação obrigatória, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro. Nesse âmbito, nota-se que parte da população não tem acesso à propagandas e debates informativos, em especial acerca de medidas de precaução, o que afeta a mitigação de epidemias. Um exemplo disso é o combate ao mosquito “Aedes Aegypti” - propagador da dengue, zika e outras doenças - cuja proliferação está ligada ao acumulo de água parada.
Depreende-se, portanto, que, para reverter o atual panorama brasileiro, o Estado - principal responsável por garantir acesso à infraestrutura básica e essencial, como rede de esgoto, manejo de água e resíduos, entre outros - deverá investir mais amplamente no sistema de saneamento básico em todo território nacional, por meio de uma maior destinação de verbas, a fim de garantir o previsto pela Lei de Saneamento Básico e evitar a disseminação de doenças epidêmicas. Além disso, deve, por intermédio de mídias comunicativas como rádio, televisão e internet, promover campanhas de conscientização populacional sobre a importância das medidas de precaução no combate à epidemias, com o intuito de garantir os cuidados básicos individuais e escapar do caos apresentado na realidade do filme “Contágio”.