Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 27/05/2020

A Revolta da Vacina foi um motim popular ocorrido em 1904 na cidade do Rio de Janeiro que foi causado pela imposição de vacinas obrigatórias contra a varíola, em uma sociedade na qual eram desconhecidas as vantagens desse mecanismo de prevenção de doenças, ao ser muitas vezes mal interpretado pela população, que se recusava a aceitá-lo. No Brasil contemporâneo, pode-se observar que, em meio a uma epidemia, a população tende a não seguir as orientações dos órgãos de saúde devido à falta de conhecimento sobre o assunto, o que acontece desde os primórdios do país. Assim, vê-se que, para lutar contra as epidemias de forma efetiva, é necessário combater os principais impasses para o cumprimento das orientações médicas e sanitárias, como a desinformação do povo brasileiro e a omissão do poder político. Dessa forma, vê-se que se faz necessária uma ação coletiva que envolva toda a estrutura social do país para que o número de mortes seja reduzido em meio à períodos de tanta dificuldade.

Nesse contexto de proliferação de doenças, no qual a população é tomada pelo medo, informações não confiáveis são tomadas como verdade absoluta pela população, devido ao desespero e à falta de pesquisa. Sob esse enfoque, é notável o crescimento das chamadas “fake news”, notícias sensacionalistas que não tem a função jornalista de informar, mas sim de gerar repercussão, ainda que isso muitas vezes cause o caos. Devido à cultura do imediatismo, o indivíduo tende a repassar as informações sem averiguar a veracidade destas e sem considerar o impacto dessa prática. Essa situação preocupante traz como consequências a automedicação e a incitação do ódio, principalmente a xenofobia, quando são feitas afirmações sem fundamento de que uma nação desenvolveria uma arma biológica para prosperar frente à humanidade. Como exemplo, pode-se citar a informação equivocada de que a hidroxicloroquina seria um medicamento eficaz contra a covid-19, pois, ainda que fontes seguras, como o site do governo federal, afirmem que ainda não há uma substância especifica no combate à doença, a sociedade continua a acreditar e divulgar amplamente esse tipo de inverdade. Por conseguinte, esse fármaco, originalmente usado contra a malária, está em falta para quem realmente precisa e causa efeitos colaterais aos que usam sem indicação, como problemas neuropsiquiátricos, dos quais alguns resultaram em suicídio, e cardiovasculares que podem levar à morte.