Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 14/05/2020
Há cem anos atrás, o Brasil, assim como grande parte do globo terrestre, enfrentava uma pandemia causada pela gripe espanhola. Milhões de pessoas morreram e medidas foram tomadas para tal situação, mesmo se tratando de um período conflituoso (fim da Primeira Guerra Mundial) e de um conhecimento limitado na área de saúde. Nos dias de hoje, entretanto, o cenário se encontra semelhante e os empecilhos também. A ignorância da população, além do descaso e falta de rigidez governamental contribuem para agravar este quadro.
Subitamente no fim de 2019, uma epidemia causada pelo coronavírus inicia-se no continente asiático, e acaba por se espalhar pelo mundo tornando-se uma pandemia, assim como a de 1920. Os impactos em todas as áreas da sociedade foram gigantescos e a falta de informação das pessoas, unida as chamadas ``fake news´´, colaboram para aumentá-los. Há no Brasil quem acredite que o Covid-19 foi uma doença planejada com cunho político, ao passo que fecham os olhos para a gravidade da situação. A ignorância leva estas pessoas a simplesmente não obedecerem as recomendações da OMS acerca da doença (uso de máscaras, isolamento social etc) e acabam por atingir a parcela mais simples e desprivilegiada da sociedade que, ao descumprirem as recomendações, sequer têm saúde de qualidade para tratar da doença posteriormente.
Não só a falta de informação, mas também o descaso governamental dificultam o tratamento de epidemias ou pandemias no país. Há uma grande desvalorização do SUS, tanto pela falta de investimentos quanto pela própria população, que não reconhece o valor de um sistema que reflete e defende a saúde como direito de todos. No município de João Monlevade, cidade de cerca de 80 mil habitantes no interior de Minas Gerais, até o momento presente, tem-se aproximadamente 23 casos confirmados de Covid-19 e todos os testes foram feitos na rede privada, já que a rede pública disponibiliza testes apenas para os pacientes já internados. O atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, em meio aos milhares de mortos, pronuncia-se dizendo que não passa de uma ``gripezinha´´. O papel e o posicionamento do governo é realmente preocupante neste cenário.
Em suma, é necessário o desempenho dos canais de comunicação (como as redes televisivas) em campanhas para esclarecer o que são fatos e o que são boatos a respeito das epidemias, e quais são as medidas adequadas a serem tomadas de acordo com os órgãos de saúde nacionais (ou até mesmo internacionais), a fim de conscientizar e evitar a ignorância como um todo. É também, de fato, imprescindível o zelo e o investimento de cada estado no sistema de saúde pública dos municípios do país, para que o tratamento alcance os contingentes populacionais menos favorecidos.