Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 14/05/2020
No filme “Bird Box”, é representada a trajetória de Malorie que, em um momento da narrativa, precisa isolar-se em uma casa devido a um surto psicótico epidêmico. Fora da ficção, as epidemias consistem em um sério desafio para a saúde pública, assim, no contexto do Brasil hodierno, o coronavírus impõe a mesma ação de Malorie, precedendo o colapso do Sistema Único de Saúde. Sob esse viés, cabe ponderar acerca da falta de equipamentos para os médicos e da ausência do acesso à saúde para todos para ser factível lidar com a problemática.
A princípio, urge apontar o descaso para com os profissionais. De acordo com uma matéria do jornal O Globo, em Portugal, 20% dos infectados pelo COVID-19 pertencem à classe médica. No Brasil, porém, os funcionários não possuem o mínimo necessário para se precaverem da doença. Isso pode ser apontado, por exemplo, pelo caso do Hospital Salgado, da Zona Norte do Rio, no qual os trabalhadores precisaram usar sacos plásticos ao invés de equipamentos de proteção. Assim, é lógico pensar em uma massiva quantidade de profissionais da saúde contraindo a infecção e, então, irem a óbito. Logo, medidas que garantam a correta instrumentalização dos empregados de saúde fazem-se necessárias.
Ademais, convém ressaltar a desigualdade presente na obtenção da garantia da saúde. Conforme o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o acesso à saúde pública para todos é um direito, além da lei 8080/9 apontar o Estado como encarregado pela sua garantia. Entretanto, a realidade destoa do ilusório campo jurídico uma vez que dos quase quarenta e cinco mil leitos de UTI (de acordo com o Conselho Federal de Medicina), a maior parte é destinada à saúde privada e suplementar que atendem apenas 23% da população. Em vista disso, faz-se mister que haja uma maior democratização desses leitos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de intervir atenuando a problemática referente ao inevitável caos. Para tanto, faz-se mister que o Governo – o responsável legal – como , por meio da realocação de verbas, compre equipamentos de proteção para os médicos, técnicos e enfermeiros e aumente a quantidade de leitos para o SUS (que atende as camadas menos privilegiadas da sociedade). Isso deve ser feito com o fito de permitir um trabalho mais seguro, evitar a contaminação de profissionais e garantir o pleno exercício de uma saúde pública democratizada. Quiçá, então, será possível salvaguardar a vida, mitigar o caos gerado pela pandemia e preparar o país para novas possíveis epidemias.